Monthly Archives: Setembro 2012

Chegou a hora

Continuamos a viver de aparências. Continuamos a querer transparecer uma pessoa, quando na realidade, somos outra. Fugimos dos nossos gostos, das nossas convicções, até do nosso estilo de vida e corremos em conjunto, com o resto da manada. A certa altura já não sabemos sequer, porque é que corremos e deixamo-nos guiar, em direção ao abismo. É esta a sociedade de massas de que tanto se falou, mas que ainda, há quem, não saiba o que é. Há quem pensa, que este ‘ fenômeno’, aconteceu por obra do Espirito Santo e que de repente, começamos todos a ficar cada vez mais parecidos. Que por acaso, acordamos um dia e gostávamos todos das mesmas coisas. Meus amigos, abram os olhos, é esse tipo de pensamento, que nos querem incutir. E uma mentira dita tantas vezes, um dia começa a soar verdade. A sociedade ideal, para esses senhores políticos, seria exatamente essa, em que como pequenos cordeiros, correríamos todos na mesma direção, sem perguntar porquê e sem criar distúrbios. Mas nós não somos assim, nós temos sangue na guelra, temos alma na voz. Mais importante, nós temos opiniões, nossas, que construímos com as nossas cabeças. Chegou a hora de nadar contra a corrente.

Anúncios

Onde está a Diana?

Onde é que anda a Diana? É esta a pergunta, que nos cercou ao longo do dia. Parece que em tempos de crise, o amor é a única coisa que ainda, abunda. E continua a acontecer, porque assim tem de ser. É simples. Se não for ele, o nosso porto de abrigo, o que será? São em tempos como este, de pequenas grandes revoluções, que os mais importantes valores, se levantam. São nestas estranhas coincidências, que a vida se lembra, de nos ir empurrando para a frente. São estes momentos, em que nos encontramos com o inesperado, que nos recordamos, do bom que é estar aqui. E é num presente feliz, num presente de esperança, e apenas nesse, que se pode planear um futuro, que se pode semear um dia melhor. Por isso, vamos lá encontrar a Diana, vamos lá dar uma oportunidade ao amor. Parece que ele anda aí, ao virar da próxima esquina.

Outono? Passo!

Parece que chegou o Outono. E parece que está tudo deliciado com a notícia. Só se fala do lindo que é, as folhas começarem a cair, do bom que é ouvir a chuva e todas essas balelas. Pois eu, estou contra. Eu sei que não posso estar, ou que pelo menos não posso impedir a passagem das estações, mas ao menos, poupem-me o vosso contentamento. Desculpem lá se eu não estava farta do calor e de acordar e ver o Sol radioso. Desculpem lá se odeio acordar e estar a chover, se odeio ter frio, se odeio já estar constipada, se odeio de morte usar guarda-chuva. Para mim, Outono, significa sono e uma vontade gigante de não sair da cama. Já percebi que estou sozinha nesta luta, mas eu precisava de manifestar a minha revolta. Para mim esta estação é sinonima de indecisão. Acordamos de manhã e está sol, então lá vamos nós de ténis, super descontraídos. Qual não é o nosso espanto, quanto poucas horas depois, começa a chover torrencialmente. Pés encharcados, cabelo digno de esfregona, e espirros para dar e vender. Enfim, eu avisei que sofro de depressão pós- fim de Verão.

Fim-de-semana?

O fim-de-semana devia ser sinónimo de descanso. Uma espécie de paragem no tempo, em que não existem compromissos, horários ou obrigações. Em que não existem telefones, nem agendas. Deviam ser dois dias totalmente dedicados a nós. Dias em que as atividades, eram tão complicadas como, passar o dia na cama, ver filmes, ler livros e comer todas as porcarias que fossemos capazes. Mas a dura realidade, é que existem fins de semanas, que são correrias, muito idênticas às que já sofremos durante a semana. Compromissos que não podemos desmarcar, jantares a que somos ‘obrigados’ a ir, festas, casamentos, batizados, trabalhos que nos roubam o descanso e a paciência, entre mil outras coisas. Quando fazemos o ultimo visto na lista de tarefas, é Domingo. E o Domingo, já não dá para nada. E pior, é véspera de segunda e isso traz adjacente um humor de bradar aos céus. Posto tudo isto, e tendo em conta, que por mais que me manifestasse por esta batalha, sairia derrotada, resta-me baixar os braços. Fica aqui o desabafo e a esperança, que fins-de-semana a sério, ainda estejam por chegar.

Saudade

Toda a gente sente saudades. E existem milhares de tipos de saudades. Podemos sentir saudades de um lugar, de uma canção, de um cheiro, de uma cama, de uma pessoa e de tantas outras coisas. Neste momento, por esse mundo fora, estão um sem fim de pessoas, envoltas neste estranho sentimento. Ninguém o sente da mesma forma, nem ninguém lida com ele, da mesma maneira. Quando a recordação que nos traz saudade, é dolorosa, pode levar-nos às lágrimas. Quando é feliz, pode meter-nos um sorriso na cara. Quando é divertida, pode conseguir até, fazer-nos rir sozinhos. Mas eu tenho pra mim, como certo, que ninguém sente saudades como nós, portugueses. Não há noutro lugar do universo, uma palavra com este significado. Saudade é a minha palavra favorita e contem uma beleza, que não se consegue explicar. E se termos esta palavra, como nossa, não é suficiente para sermos especiais, então não sei o que será.

Cuecas maiores

Descobri esta semana, que os habituais calções, deram lugar a algo que intitulei de ‘cuecas maiores’. Todos os dias de manhã, a minha viagem de autocarro, obriga-me a parar em duas escolas secundárias. E três dias depois de efectuar este percurso,pude ter certezas de que esta ‘moda’ se instalou. Altas e baixas, magrinhas ou gordinhas, mais feias ou mais bonitas, mais velhas ou mais novas, todas aderiram a esta tão estranha tendência. Minhas amigas, isso não é bonito. A falta de comprimento dos vossos pseudo-calções, obriga a que qualquer pessoa, tenha acesso directo a metade das vossas nádegas. Tenho plena consciência, que esse mesmo facto, fará as delícias de muitos olhares masculinos, mas não o meu. A única coisa que me apetece fazer quando, sou por vocês, obrigada, a esta visões matinais, é dizer-vos ‘por favor voltem a casa, porque se esqueceram da parte de baixo’. No fundo o que sinto, é literalmente, vergonha alheia, o que não faz grande sentido, visto que envergam esse pedaço de tecido, cheias de confiança, mas não consigo deixar de o sentir. De qualquer forma, em certo ponto, tenho de vos fazer um agradecimento. Até vocês e esses mini-calções, aparecerem na minha vida, eu fazia toda a viagem de autocarro, num esforço terrível para não adormecer. Mas hoje em dia e graças a vocês, assim que me oferecem essa visão traseira, eu desperto automaticamente. Minhas queridas, desculpem o desabafo, mas mexeram demasiado com o meu dia-a-dia, tornando impossível, não vos dedicar estas palavrinhas.

O tempo é agora

De repente somos todos revolucionários. Tivemos este tempo todo, a ver em câmara lenta, o comboio a descarrilhar e assistimos a tudo de braços cruzados. O que nós temos mesmo jeito, é para nos queixarmos. Podiamos passar  vida nisso. Para o típico tuga, está sempre tudo mal, o que faz com que mesmo quando está melhor, nem se dá conta. Somos adeptos da crítica porque sim.  Podemos ter um mês para fazer um trabalho, mas nada melhor, do que a véspera. Mas parece que finalmente, começamos a despertar, desta nossa vidinha de deixa andar. Parece que finalmente, percebemos que estamos lixados. E agora todos queremos crer, que não é tarde demais pra começar a luta. Que assim não seja, também espero eu. Se não formos nós a tomar as rédeas, ninguém o fará por nós. Se não travarmos estas medidas, o futuro só poderá ser ainda mais negro. Portanto vamos parar de fingir que este país não é nosso, parar com a resignação. Não nos podem mandar embora, sem pelo menos, nos fazermos ouvir primeiro. Vamos sair á rua, porque isto, não podemos deixar para amanhã.

A segunda casa

Para mim, nada marca mais o fim do verão e das férias, do que o regresso a Coimbra. Demoramos o máximo de tempo que conseguimos, a fazer as malas, fazemos ronha e arranjamos mil desculpas, para podermos atrasar o processo. Eu fiz tudo isto hoje. Adiei vezes sem conta o despertador, prolonguei o banho e fiz a mala ás prestações. Falei pouco e resmunguei muito. A minha cama, gritava, implorando-me para ficar. Odeio domingos, exactamente por isto. Para além de obviamente, antecederem as Segundas, são dias em que não temos tempo para nada. Acordar, almoçar, fazer malas. Chegar, arrumar, jantar, dormir. Mas o domingo, do regresso ás aulas, é de longe o pior. Foi com este humor terrível, que fiz a viagem até cá. Mas assim que comecei a ver Coimbra, banhada por este sol, tudo se alterou. Afinal, aqui também é a minha casa. E foi preciso chegar aqui hoje, para perceber, as saudades que tinha disto. Acordar em piloto automático e ir apanhar o autocarro, almoçar na baixa, ver a Praça cheia de gente, beber café no café de sempre, viver no bairro mais amoroso de sempre. É doloroso partir, mas é tão refrescante regressar aqui.

Adeus Verão

Chegou o momento mais triste e mais difícil de todo o ano. Ainda não me sinto preparada, mas vejo a hora a chegar. O fim do verão. Eu sei que muita gente, partilha desta minha eterna paixão, por esta estação do ano. Mas duvido que alguém sofra tanto como eu, quando estes maravilhosos meses chegam ao fim. Verão significa calor, praia, gelados, sangria, pôr-do-sol, chinelos, bronzeados, animação, é preciso dizer mais? O sol beija-nos a pele e andamos todos com um ar feliz e saudável. É tempo de viajar, passear, ver filmes, ler muito. Mas tão depressa como chega, de repente, se vai embora. Começa Setembro e eu inicio a minha depressão pré-fim de verão. Não se zanguem, mas eu nunca vou perceber quem não gosto de praia, quem desespera pela chegada do inverno, quem gosta de casacos e de frio até aos ossos. Para mim quem não gosta de mar, merece a minha desconfiança. Resta-me esperar que o Outono, ainda seja quentinho e que o Inverno faça visita de médico. Adeus meu querido Verão, aguardo ansiosamente o teu regresso.

O maldito dinheiro

O dinheiro é uma questão sempre complicada. Quando temos pouco, obviamente, queremos ter mais, mas quando já temos muito, queremos ter mais na mesma. Vivemos um momento de crise, um momento que nos devia obrigar, a ser mais conscienciosos do que nunca. Um momento em que devíamos pensar dez vezes, antes de decidirmos gastar o nosso dinheiro. A mim, os últimos anos, ensinaram-me a poupar e tenho vindo a desfrutar, desse meu novo pensamento e estilo de vida. Mas quando olho á minha volta, ninguém viu as coisas, da mesma maneira, que eu vi. As pessoas continuam a gastar dinheiro descontroladamente e a bater a todas as capelinhas por mais um empréstimo. O verbo ‘cortar’ que nos entra pela casa todos os dias, é uma palavra de significado desconhecido, para a grande maioria das pessoas. Será assim tão difícil perceber, que se não há dinheiro, não se pode ir de férias, se não há dinheiro não se pode comprar um carro novo, se não há dinheiro, não podem haver luxos. Eu penso, que se tenho dez euros, posso gastar cinco e poupo os outros cinco. Esses pensam, que se tem dez, ‘bora lá’ gastar vinte. Viver acima das possibilidades, é um ciclo vicioso. Dá entrada direta, num mundo de mentiras, porque quando as coisas começam a correr mal, há que tentar, com que ninguém se aperceba. Mas custa-me lidar com isto, porque por mais que tente, eu não consigo entender. Será assim tão complicada a ideia, de que, se não temos dinheiro na carteira, não vamos beber café. Cada vez que vejo alguém ser chamado a atenção, por estar a dever, penso sempre ‘minha rica mãe, que sempre me ensinou que ter dívidas, é feio.’