Monthly Archives: Outubro 2012

Vacas magras

As pessoas têm dificuldade em perceber a realidade, ou em aceita-la, não sei. Vivemos tempos difíceis e que exigem sacrifícios, isto não deveria ser uma novidade. As vacas gordas foram pastar para outro lado, acabou-se. Os preços aumentam todos os dias e do outro lado da balança, diminuem os salários. Chegou a hora de aprendermos a poupar e pararmos de ganhar 10 e gastar 20. O dia de amanhã, não se avizinha melhor que o de hoje, muito pelo contrário. Abrir os olhos para o presente em que vivemos, pode ser doloroso, mas viver a fingir, que nada mudou, é impensável. Aproximamo-nos da época natalícia e para muitos, é também, a época do consumismo. Temos de ter consciência e mudar esses velhos hábitos. O Natal deve ser sinónimo de amor, solidariedade, tempo passado em família. Vamos criar os nossos próprios presentes e perceber que o seu valor, deve ser sentimental e não monetário. Vamos trocar as grandes superfícies e apoiar os pequenos comerciantes, as novas iniciativas. Vamos fazer por nós, senão ninguém fará.

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Natal, Natal, Natal!

Iniciei a contagem decrescente para a melhor altura do ano: o Natal. Este tema, aviso desde já, vai ser recorrente, até finalmente, chegarmos ao seu encontro. Hoje quando percebi que já existem enfeites nas lojas, não cabia em mim de contentamento. A minha paixão por esta época, tem aumentado exponencialmente nos últimos anos. É que o Natal está associado a coisas deliciosas. Lareiras, comidinhas boas, músicas de Natal enquanto passeamos na rua, a compra dos presentes para quem gostamos. Estou ansiosa pela iluminação nas ruas, nas casas, fazer a árvore de Natal com a minha mãe… Mas para além de todas estas coisas, que tanto me fascinam nesta data, existe uma que se sobrepõe a todas. Durante esta época, algo em nós, muda. Ficamos mais frágeis, sentimos a necessidade de dizer coisas, que até aí soubemos ir escondendo. Sentimos saudades, com mais força, que noutra altura qualquer. E sim, ficamos mais solidários, pensamos mais nos outros. Algo que tanto gostaria, que se prolongasse, para o ano seguinte. Mas não falemos de coisas tristes, porque o Natal vem aí e isso tem de ser sempre um bom pensamento. Um conselho: vivam o Natal nestas pequenas coisas. Nas músicas, nas luzes e principalmente, nas pessoas. O Natal não está ao alcance da carteira, evitem tentar compra-lo.

Só mais um dia mau

Depois de um dia inexplicavelmente longo e mau, está na hora de poder reclamar um bocadinho. Estive 6h na secretaria da Universidade, isto só pra início de conversa. Cheguei ainda antes de ter aberto e já tinha 50 pessoas á minha frente, o que é que vos parece? Tenho o rabo quadrado, o pior humor de sempre e até a fome perdi, mesmo não tendo almoçado. Para completar este maravilhoso ramalhete, ainda está, este dia lindo. Eu que abomino guarda-chuvas, fui devidamente prevenida, mas como é evidente, num dia que começa assim, nada poderia correr bem. Assim que o abro, dou uns míseros passados, até ele se virar ao contrário. Brigámos durante alguns minutos, que foram suficientes para ficar encharcada e para ele, levar a melhor. No meio disto tudo, já me doía pouco a cabeça e ainda tive de fazer um sprint para apanhar o autocarro e fugir da chuva. Com um TPM á mistura, criou-se um cocktail bombástico e eu sou neste momento, alguém de quem deveriam fugir. Para finalizar, espera-me um fim-de-semana com a cabeça enfiada nos livros e a bater com a cabeça nas paredes. Se existem dias que gostava de riscar do calendário, hoje foi o dia.

As maravilhas do café

Ando numa fase, em que me apercebo do imenso poder, de pequenas coisas. Algumas tão banais e que na sua maioria, nos acompanham no nosso dia-a-dia. Vai daí, que me debrucei então, sobre as várias dimensões que o café tem na nossa vida. Sim, porque eu não posso ser a única, a ter esta dependência e a ter percebido, a importância, que o mesmo tem para nós. Primeiro que tudo, um convite para café, pode ter infinitos significados. Uma conversa difícil, o início de uma relação ou o fim, a desculpa para um desabafo, um respirar de alívio ao fim de um longo dia de trabalho, entre mil outras coisas. No meu dia, o café tem diferentes efeitos. De manhã é tomado no meio da correria e com a intenção de quebrar o meu difícil humor matinal. Se quiserem falar comigo pela fresca, terão de esperar que já o tenha tomado, caso contrário, vão receber um simples ‘hum’, num tom muito pouco simpático. Depois do almoço, é o chamado, café de preparação para a tarde. Já é tomado com um bocadinho mais de tempo, mas ainda com a cabeça, nas tarefas que ainda estão na agenda. Chegamos finalmente, ao meu café preferido, e geralmente, ao último do dia. Tomo-o depois de jantar, geralmente acompanhada e serve para simplesmente, descomprimir. Deita-se conversa fora, resmunga-se sobre o que se passou durante o dia e relaxa-se. Por isto tudo, boa noite a todos, que eu vou tomar a bica.

A movie a day keeps the doctor away

Um bom filme, tem uma multiplicidade de poderes. Aquece a alma, anima o espirito, faz-nos sonhar, obriga-nos a refletir, faz-nos chorar, enfim. Eu deixei de ver filmes há muito tempo, porque passei a devora-los, passei literalmente, a depender deles. Num dia normal, tenho obrigatoriamente de ver um, num dia um bocadinho mais desafogado, dois e num dia bom, três. Dando prioridade aos dramas, sou obviamente menina de um bom romance também. Não deixo de lado os filmes de ação, mas preciso que tenham um bom enredo, senão desligo ao fim dos primeiros minutos. Quanto a filmes de animação, era sempre muito reticente, mas vou lentamente, começando a apreciar o gênero.  Basicamente, deem-me uma boa história e um bom elenco, e tem tudo para que me agrade. Com a chegada destes dias frios, cinzentos e tristes, os Domingos pedem ainda mais, esta companhia. Lareira, um chá e o filme certo, são sem dúvida o meu programa perfeito, para este dia e o único possível. 

Vamos lá provar

Este ano, fiz as duas melhores descobertas de sempre: a alheira e o chá. Junta-las na mesma frase, não podia soar pior, mas a verdade é que me rendi, com a mesma intensidade a cada uma delas. Sim, eu sou aquela pessoa, que algumas vezes, (já não é sempre), diz que não gosta de certas coisas, mesmo não tendo sequer provado. E em relação a estas duas coisas, arrependo-me todos os dias, de ter passado mais de 20 anos, a desconhecer estas maravilhosas iguarias. Infelizmente a amiga alheira é do tipo ‘gorda’ e não posso comê-la, com a regularidade que gostaria. Já o chá, tem a vantagem de não precisar de hora marcada. É delicioso pela manha, é delicioso ao lanche e divinal á ceia. E quando acho que já descobri, o meu preferido, aparece outro e arrebata-me o coração. Acalma-me, ajuda-me com a minha difícil digestão e aquece a alma. Mas apesar disto tudo, o café ainda continua no pódio e tenho de admitir, que sou depende dele, maldito. A minha vida está tão mais feliz, desde que me rendi a estes dois prazeres, que senti a necessidade de vos dizer: percam a cabeça e provem, tudo aquilo, que até hoje, se negaram. Terão boas surpresas, acreditem.

O prazer dos livros

Custa-me muito perceber, quem não gosta de ler. Apaixonarmo-nos por um livro, por uma história, é das melhores sensações que há. Não conseguir parar de ler, ficar completamente obcecado e acabar por viver a vida da personagem, como se da nossa se tratasse. Começar um livro e devora-lo pela noite dentro, sem pausas nem interrupções. Nada me deprime mais, do que não ter tempo para ler. Ou neste caso, tempo para ler os livros que eu quero, e não os que tenho que ler obrigatoriamente. Desde que me lembro, que tento incutir este gosto nas pessoas, e posso, orgulhosamente dizer, que na grande maioria, tenho sido bem sucessiva. Estava habituada, a ser a única pessoa, no autocarro a ler. Ultimamente, isso tem mudado de figura e dou por mim, a olhar á volta e a sorrir, porque sei bem, quão deliciosa pode ser, a descoberta do prazer da leitura. Ler, obriga-nos a pensar, mais do que isso, a refletir. Estimula de formas inimagináveis, a nossa imaginação. Por isto tudo, façam-me a vontade e corram para a biblioteca ou livraria mais próxima, prometo que não se vão arrepender.

O velho constrangimento

Existem coisas, que por mais tempo que passe, nunca mudam, nem um bocadinho. Por mais que tenhamos crescido, ainda hoje, morremos de vergonha, quando dão cenas mais ousadas na televisão, e os nossos pais estão ao lado. Baixamos a cara, fingimos, estar a mandar uma mensagem, ou de repente, temos um desejo súbito e temos de ir a correr para o frigorífico. Hoje em dia as coisas pioraram para os mais novos, porque em horário nobre, vêm-se cenas, que superam muito, o que víamos em miúdos. O que antes eram só uns beijos mais apaixonados, hoje, são cenas dignas de bolinha vermelha no canto do ecrã. Em compensação, o avanço tecnológico, permite-nos ter um sem fim de auxiliares, nesta hora tão difícil. ‘Ipads’, ‘Ipods’, ‘Iphones’, ‘Facebooks’, ‘Twitters’, ‘Tumblers’, enfim, uma panóplia infindável de novos brinquedos. Mudam-se os tempos, mas nem sempre se mudam as ‘vontades’.

A típica jantarada

O português gosta de comer bem e beber bem. E se poder fazer isso, numa mesa rodeada de amigos, tem tudo para ser a noite ideal. Entre brindes e pequenas garfadas, lá se vão falando de coisas cheias de importância e coisas sem importância nenhuma. Entre alucinadas gargalhadas, também se vai cortando na casaca, deste e daquele e partilhando as cusquices, que estejam na ordem do dia. Nisto somos muito bons, muito melhores que os outros. Somos profissionais neste tipo de práticas e depois de uma semana mais complicada, um convite destes, é irrecusável. Durante umas horas, os problemas que nos vão incomodando, ficam do lado de lá da porta e á mesa, só boa disposição é permitida. Não são precisas datas especiais para serem celebradas, somos ótimos a inventar motivos, que nos façam juntar um bom grupo e marcar uma ‘jantarada’. Enquanto houverem estes encontros, vamos fazendo fintas á crise e imaginado uma realidade diferente, mesmo que só por uma noite.

O último adeus

A imprevisibilidade da morte é a única coisa que verdadeiramente me assusta. A morte tem todo um poder, que nos faz perceber, o quão pequenos somos, neste jogo. Num segundo, tudo muda e nada voltará a ser como era dantes. Num segundo temos um melhor amigo, um pai, uma avó e no segundo seguinte, temos apenas a dureza do fim e o sabor do vazio. A dureza de sabermos, que nunca mais, vamos ver essas pessoas, nunca mais vamos falar com elas. Quão dolorosa pode ser essa realidade? E se, não lhes dissemos o quanto as amávamos, ou pior, se nos despedimos sem saber, dizendo-lhes algo, que não era verdade? Se tudo acabou e a ultima recordação que ficou, foi uma discussão ou uma zanga? Como é que se vive com essa culpa, como é que se vive, sabendo que nada mais pode ser feito? Por isso, desculpem-me se não consigo ver a morte, como parte da vida, ou como a única coisa que temos como certa. Só consigo vê-la, como algo, tantas vezes injusto, tantas vezes egoísta. Tantas vezes bárbaro.