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Gosto de pessoas

Eu gosto de pessoas. Gosto das que conheço. Gosto de saber que ainda há tantas por conhecer. Gosto de ficar a observá-las e a desenhar mentalmente as suas vidas. Imagino todos os pormenores. Coisas tão básicas como o que gostam de tomar ao pequeno-almoço e tão profundas, como se serão ou não, felizes. Gosto de conversas que duram horas sem fim. Conversas sobre coisas que me perturbam, motivam e interessam. Conversas de temas vazios, banais. Gosto de olhar nos olhos das pessoas e acreditar que os consigo ler. Gosto de escrever cartas e de na maior parte das vezes, não as enviar. Gosto muito de receber cartas, muito. Gosto de receber uma mensagem de uma pessoa completamente inesperada e que isso me altere o humor, o resto do dia. Gosto de relembrar as pessoas, nas fotografias. Gosto de fotografar pessoas, mais do que tudo. Gosto de ter um círculo de pessoas, que são minhas. Gosto da natureza das pessoas e de não lhe conseguirem fugir. Essencialmente, gosto de gostar de pessoas.

Tipo: mole

A preguiça é um bicho terrível. Tem dias que nos agarra e lutar contra ela, torna-se uma batalha inútil. Eu sei bem do que falo, existem dias que acabo por te de me entregar a ela. Acho que isto, é um problema comum a todos, com mais ou menos frequência. Ou seja, é uma coisa perfeitamente normal. Mas existe uma outra coisa, que pelo contrário, não consigo considerar nada normal e que me consegue tirar mesmo do sério. Estou a falar de um ‘tipo’ de pessoas, que acredito anda a aumentar exponencialmente. São aquelas pessoas, do tipo: mole. Pessoas que andam aqui, para ver os outros e que parecem fazer um tremendo esforço para tudo. Tudo para elas é uma massada, uma canseira. Custa-lhes acordar, ir trabalhar e até para falar tem de fazer um esforço. São aquelas pessoas que numa festa, ficam sozinhas num canto, a rezar para que ninguém vá falar com elas e para que consigam sair despercebidas. Eu tenho uma enorme dificuldade em lidar com elas e debato-me para não chegar ao pé delas e abaná-las. Para piorar a situação, muitas das vezes, são pessoas sem opinião, que se limitam a ser empurradas pela maioria, sem piarem. E pronto, fazem-me espécie, tenho dito.

Serei normal?

Eu não tenho aulas á sexta-feira, por isso não percebo qual é o sentido de ser feriado amanhã. Continuo a espirrar, cheia de frio, cheia de sono, cheia de ‘griponais e cêgripes’ e cheia de coisas para estudar, por isso repito, porque é que já estou de fim-de-semana? Podia estar na cama a descansar e devia, mas não. Decidi ir para a fila do passe, decidi arrumar a minha roupa, e decidi fazer limpezas. Serei uma pessoa normal? Quando tenho aulas, dava tudo para ficar na cama, quando podia e devia ficar na cama, invento coisas para fazer. Quando tenho o frigorífico cheio, apetece-me sempre a única coisa, que sei que não há. Quando o tenho vazio, apetecia-me tê-lo cheio com todas as coisas, que nunca como quando tenho. Quando tenho dinheiro para ir às compras, não gosto de nada, ou não me apetece sequer ir ao centro comercial. Quando ando a contar os tostões, vou feita parva ao centro comercial e gosto de tudo. Nunca como gelados no verão, chega o senhor inverno e lembro apetece um, dia sim, dia não. Perante isto, volto a perguntar, serei normal?

Crises femininas

Nestes tempos de carteiras com trocos, os centros comerciais deviam fechar ou ser-nos proibida a entrada. Vivemos tempos em que as nossas cabeças, se transformaram em autênticas calculadoras, e que mesmo uma pessoa de letras como eu, só pensa em números. E é por este mesmo motivo, que me sinto mais uma vez, com vontade de reivindicar. É que a crise, fecha-nos os bolsos, mas não os olhos. E aqui, as mulheres melhor que ninguém, vão compreender-me. É impressão minha, ou há roupa linda por todo o lado? Quase parece uma provocação. Vejo-nos a babar á frente das monstras e a conter as lágrimas, quando vemos as etiquetas. Infelizmente ainda não se paga para ver e graças a isso, ando deprimida e acredito piamente não ser a única. Comecemos as poupanças, porque melhores tempos não se avistam minhas amigas e nós deixarmos de gostar de roupa, não é uma hipótese.