Laços de sangue

Um Sábado á tarde como outro qualquer, quando recebo a chamada mais inesperada de sempre. Família do Brasil, que estava cá e andava com um pequenino papel com o nome da minha avó e a sua antiga morada, á nossa procura. Um mísero papel, que há muitos anos a minha avó enviou em carta para a sua irmã, tinha trazido até nós, uma das suas filhas e a sua família. Um misero papel, que proporcionou, um momento único, difícil ainda de digerir, quanto mais de explicar. Ao desligar o telefone, já havia toda uma agitação no ar e os meus olhos e os da minha mãe, já brilhavam. Começou toda uma correria, que só parou ao chegarmos á pequena farmácia, com o coração a sair-nos pela boca. Esperava-nos um casal e as suas duas filhas. A sobrinha da minha avó e prima direita da minha mãe. Não nos conhecíamos, nunca nos tínhamos visto e de repente estávamos todos abraçados. É estranho, mas era como se estivéssemos com saudades, o que não faz o mínimo sentido, mas estas coisas são assim, não se regem pela lógica. Mas a verdadeira surpresa, estava ainda para acontecer, irmos até casa da minha avó. Queríamos fazer-lhe surpresa, mas o seu coraçãozinho, já nos deu dois grandes sustos e tivemos que lhe dar um lamiré da situação, para que se pudesse preparar minimamente. Ligamos-lhe e dissemos-lhe apenas que ela ia receber a visita de pessoas que nunca viu, mas que sabíamos queria muito conhecer. Subimos a escada numa correria e o que se passou a seguir, foi digno de um filme. A Dona Alice demorou alguns momentos a perceber realmente o que se estava a passar, mas quando a sua sobrinha Fátima, a abraça e a chama de tia, o tempo parou. Nesse momento não estávamos entre estranhos, nesse momento eramos uma família. As lágrimas percorriam os olhos de cada um de nós e ver aquele abraço e as palavras que se trocaram entre aquelas duas pessoas, foi algo que para sempre vai ficar marcado na minha memória. Foi uma tarde maravilhosa, passada entre gargalhadas e choros sentidos, mas de profunda alegria e emoção. Contaram-se histórias que o tempo não apagou, reviram-se fotografias gastas pelo tempo, mas queridas pela saudade e tiraram-se outras para sempre lembrar, o que vivemos ali. Doeu-me esta despedida e senti a necessidade de apertar aquelas pessoas e dizer o quão bom foi conhece-las, o quão bom foi presenciar este encontro. Se a viagem ao Brasil, desde sempre me fez querer voltar, agora é uma certeza que São Paulo está marcado já nos planos. Hoje descobri sentimentos, que até então me eram totalmente desconhecidos. Percebi que os laços de sangue, tem uma força que não se pode controlar, que se ri da distância e que tem um sabor doce demais.

13 thoughts on “Laços de sangue

  1. Renata Carvalheiro Russo diz:

    Que sábado doce!! Ah a eterna saudade do que não vivemos…

    Nunca poderíamos imaginar que esse dia chegaria. Não poderia ter sido mais maravilhoso!

    Aguardamos vocês no Brasil!

    Muitos beijos.
    Prima Renata

  2. Margot diz:

    Só um coração grande e verdadeiro como o teu consegue transpor nestas palavras, tanta emoção…..não consigo descrever….
    Obrigado por esta partilha tão grande de sentimentos!!
    ❤ continua assim!
    Adoro-te!!
    M

  3. Margot diz:

    Não preciso dizer que as lágrimas corriam a um ritmo alucinante….

  4. Maria Clara diz:

    Olá,
    Ainda não sei teu nome mas vou me apresentar, sou Maria Clara irmã da Fátima que esteve com vc no sábado. Me emocionei profundamente com tuas palavras em “Laços de Sangue”. Mesmo não estando aí senti uma forte vibração. Quem sabe a vida nos faz cruzar algum dia.
    Bjs

  5. Maria Clara diz:

    Grande prazer Marta! Sou prima primeira da tua mãe e sendo assim sobrinha de tua avó. Não moro em SP mais. Há anos que moro em Mato Grosso, a Fátima deve ter dito a vcs.
    Quem sabe marcamos um grande encontro em SP, certo?
    Bjs querida.

  6. Marcelo diz:

    Sabe bem ler estas coisas Martita : )

  7. Mariana Rodrigues diz:

    Arrepiei-me marta! Beijinho grande da tua cousin **

  8. Renata diz:

    Hoje me deu vontade de reler esse texto.
    Foi como reviver essa tarde tão divina! Chorei tudo novamente. ❤ Obrigada por tê-lo escrito!
    Quero vê-las em breve!
    Beijinhos da prima do Brasil que agora mora em Londres.

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