Basta

É difícil falar de violência doméstica. Um dia disse que nunca me sujeitaria a uma situação dessas. Um dia disse que não podia compreender, quem continuava com alguém depois de algo deste género acontecer. É tremendamente fácil falar quando sabemos toda a teoria, mas felizmente, nunca vivemos a prática. Mas houve também um dia em que parei para escutar alguém que encarou esta realidade. Deixei para trás todas as minhas ideias pré-concebidas sobre o assunto e limitei-me a ouvir para depois disso, poder com alguma clarividência, ponderar. Por estranho que pareça, não cheguei a uma conclusão nova, mas reforcei uma ideia antiga. O amor é estranho, irracional, complicado e único. Ninguém vive um amor igual e cada um de nós vive uma experiência que não pode ser comparável. Quando amamos de forma desmedida, podemos esquecer-nos de nós próprios e acredito que seja isso que acontece na maioria destes casos. São como ‘amores doentes’, que por mais que queiramos acreditar que nos poderão fazer bem, vão-nos magoando lentamente, mas tantas vezes, brutalmente. Quem vive este tipo de sentimento, vai empurrando-se para baixo todos os dias e começa mesmo a acreditar que merece o que está a acontecer. Correm pensamentos como ‘não sou suficientemente boa’, ‘não me esforço o suficiente’, ‘se calhar mereço mesmo isto’. Depois chegam os arrependimentos do agressor, que são como pequenas migalhas a que se vão agarrando para acordar no dia seguinte. Não devemos julgar por julgar, o nosso papel nestes casos deve ser outro. Devemos estar de olhos abertos para os sinais, porque muitas vezes temos situações destas a acontecer ao nosso lado. Acima de tudo devemos apoiar e ajudar a mostrar que basta. Ajudar a que percebam que ninguém merece viver assim, que não podem ser atos justificados. Dia 25 de Novembro é o Dia Internacional contra a violência doméstica e existem duas coisas em que devemos aproveitar para refletir nesta data. Por um lado na quantidade absurda de mulheres e homens, que vivem ainda hoje aterrorizados este pesadelo, mas por outro lado, na força e coragem de quem conseguiu refazer a sua vida e desprender-se da dor do passado. Mulheres e homens que admiro. Pessoas que não deixaram que o facto de terem passado por situações destas, os define-se, muito pelo contrário. E dedico estas palavras a uma pessoa em especial, uma força da natureza e que tem uma força interior muito maior do que pensa. Alguém que pelo seu passado, merece todo o meu respeito e a minha amizade. Acima de tudo, a uma grande Amiga.

2 thoughts on “Basta

  1. Margot diz:

    Não tenho palavras…..mais uma vez as lágrimas chegaram sem aviso………
    Desejo sempre ser digna do teu respeito e da tua amizade.
    ❤ mto, Margot

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: