Monthly Archives: Novembro 2012

A imprevisibilidade da vida

A imprevisibilidade da vida, pode ser angustiante. Num segundo, tudo muda, tudo se perde. Criamos sonhos, projetos, construímos amizades, famílias, carreiras e num piscar de olhos, tudo isso pode desaparecer. Todos os dias somos bombardeados com histórias assim. Um acidente, uma catástrofe natural, um crime. Quem já vivenciou experiências de quase morte, tem geralmente em comum, um momento específico. Nesses relatos, quase sempre se ouve, que toda a nossa vida, passa em segundos e que se revêm, todas as pessoas que realmente amamos. Quem sobrevive a este tipo de situações, tem obrigatoriamente, de dar, outro valor á vida. Mas na maior parte destes casos, é tarde demais. Num segundo podemos perder um grande amor, um melhor amigo, uma mãe. Não podemos mudar nada, depois disso. O tempo não voltará atrás, não haverá mais um abraço, nem mais um beijo. Podemos ver noticiais destas, todos os dias nos jornais e na televisão, mas nunca pensamos realmente sobre isto. Vamos mudar isso, vamos entender que a morte, faz parte da vida e é algo que não está sob o nosso controlo. Não podemos escolher uma data que nos agrade, ela simplesmente aparece e pronto. Aceitando esta realidade, é altura de vivermos os nossos dias, como se fossem os últimos. Soa cliché, mas faz sentido, faz realmente sentido. Vamos deixar de guardar tanto rancor, vamos fazer as pazes, vamos dizer aos nossos, o quanto os amamos. Vamos ser felizes hoje e não deixar para amanhã. 

Fim da esperança

Fala-se em Cultura, mas perde-se tempo, a voar em círculos, sobre o assunto e aproveitando, o facto de o nome que se lhe dá, ser vago. O importante deveria ser, o poder que a mesma tem. Assistir a um concerto, de alguém que gostamos muito, alguém que realmente nos toca e nos faz sentir, emoções, até então desconhecidas, pode ser uma fonte transformadora imensa. Pode ser o suficiente, para mudar todo um negativismo, que se começasse a apoderar de nós, pode dar-nos esperança. Nos dias que hoje vivemos, ter esperança, é tudo. Ver uma peça de teatro, que nos faça refletir, sobre temas sobre os quais, tendíamos em fugir, pode ser um fator chave, numa mudança, que há tanto tempo, ambicionávamos fazer na nossa vida. Como estes exemplos de arte e de cultura, tantos outros existem. Quantos livros e quantos filmes, não mudaram as nossas vidas? O apoio que existe neste momento á cultura neste país, deveria ser motivo, de vergonha e embaraço. Não ousem desculpar-se com a crise, estamos cansados de saber que ela existe. Ela entrou nas nossas casas e já basta, o facto de termos de nos sentar á mesa com ela, todos os dias. Como se não bastasse, ela apareceu de mão dada, com a angústia, com o desespero, com a desmotivação. É precisamente, em momentos como este que vivemos, que precisamos de estímulos, de algo que nos transmita fé, positivismo, vontade de lutar por um amanhã melhor. A Cultura é neste momento, o que pode dar alguma cor, a um país, que se tornou cinzento, triste. Acima de tudo, é uma forma de expressão. A próxima vez que ouvirem falar nos cortes e nas faltas de apoio, que existem na Cultura em Portugal, parem e pensem. Entendam que isso, é uma forma, de nos obrigarem a calar, é censura, pura e simples. Lutámos tanto pela nossa liberdade, pela liberdade das nossas palavras, pela expressão do que sentimos e vamos deixar, que nos levem aos poucos, tudo isso outra vez?

 

Presentes de Natal

Acabei de arranjar mais uma desculpa, para usar o tema do Natal. Eu avisei que isto iria acontecer, portanto não serão apanhados de surpresa. Se ainda não começaram a pensar nos presentes de Natal, já o deveriam ter feito. É tipicamente tuga, deixar tudo para a última e haver enchentes absurdas, nos centros comerciais de todo o país, em plena véspera do grande dia. O problema de ser tudo comprado mesmo em cima da hora, é que gastamos muito mais dinheiro e não compramos nada, que realmente gostemos, ou que seja a cara, da pessoa a que vamos oferecer. A ideia do presente é que seja do agrado da pessoa a quem se oferece, mas que também tenha o nosso cunho pessoal, algo que prove que foi dado por nós. Hoje em dia, as pessoas limitam-se a comprar alguma coisa cara e isso é suposto ser prova, do quanto se gosta da pessoa em questão. Eu, discordo totalmente, deste método. Para mim um presente, pode e deve ser simbólico, mas carregado de sentimento. Um cartãozinho, por exemplo, sabe sempre bem. Mas o ideal, são mesmo, os presentes feitos por nós. Presentes que nos obrigam a puxar pela criatividade e no meu caso, usar os pouquíssimos dotes de trabalhos manuais. Receber um presente, que foi todo pensado e concebido, a pensar em nós e nos nossos gostos, será sempre uma prova de amor e amizade. E se ainda não perceberam, que é desses valores, que devemos viver o Natal, então ainda não são merecedores, de sentir a verdadeira magia, desta época.

‘Meninos de bem’

É difícil falar de religião. Debater este assunto, obriga-nos, na maioria das vezes, a não sermos totalmente sinceros no que pensamos. Quando estamos na presença de alguém, mais devoto, temos medo de ser indelicados e fazemos por explorar o assunto, ficando apenas pela sua superfície. Eu acredito que a partir do momento, que temos a capacidade de pensar e refletir, cabe a cada um de nós, perceber o rumo, que a sua vida deverá tomar. Uns acreditam que o caminho é traçado por nós e pelas nossas escolhas, outros acreditam que com a ajuda de Deus, as coisas poderão ser diferentes. Aprendi, desde sempre, a respeitar, quem, ao contrário de mim, vive em comunhão plena, com a religião e com as suas doutrinas. Não me sinto em oposição total a essas pessoas. Também tenho fé, só que é uma fé diferente, minha. Uma fé que não segue um conjunto de princípios e na qual não existe um Deus. Mas existe ainda, um outro grupo de pessoas, pelas quais, não consigo nutrir nenhum tipo de respeito. Falo-vos daquelas pessoas, que vivem a religião, por motivos, única e exclusivamente, de aparência social. E sei que toda a gente, conhece alguém que é assim. O tipo de pessoa, que vai todos os Domingos á missa, que não suporta ouvir palavrões, que foi ver o Papa com uma t-shirt adequada á cerimónia e que passou o tempo todo, a acenar, para a câmara de televisão mais próxima. Pessoas que se dedicam a atividades de voluntariado e que não perdem, uma festa de beneficência. Aguerridos defensores da tradição e dos bons costumes e que se azedam com a mais pequenina falta de educação. O único problema, é que todo este rol de atitudes, aparentemente tão louváveis, são no final de contas, completamente vazias. O sentimento, é aqui trocado pelo fator interesse e pelo famoso, ‘parecer bem’. E acreditem que, de ‘meninos’ destes, está este pequeno país, cheio e eu, cheia deles.

Todos diferentes

Um dia alguém se lembrou de instalar o lema, ‘todos diferentes, todos iguais’ e a confusão que hoje se vive, começou exatamente nesse dia. Vivemos numa sociedade, em que as pessoas decidiram abraçar a diferença, ou seja, viver na plenitude das suas emoções. Saíram dos armários e perceberam, que talvez tivesse algum sentido, também poderem ser felizes. Esta mudança de mentalidade, aconteceu, mas infelizmente não se propagou. Numa geração que se diz, tão ‘moderninha’, ainda existem preconceitos enraizados e insultuosos, para poderem ser tolerados. Qualquer tipo de amor, que não seja o convencional homem-mulher, é ainda hoje, discriminado, criticado, incompreendido. Que não compreendam, a mim, tanto me faz, desde que o respeitem, mas infelizmente, não é isso que os meus olhos veem e que os meus ouvidos, infelizmente, ouvem. Sonho com um mundo, em que o amor apenas existe e que as pessoas se limitam a vive-lo. Um mundo em que finalmente, percebemos, que não somos todos iguais, somos todos diferentes e que ser diferente não é anormal. Anormal é querer ser igual a toda a gente, viver na submissão e não se ser ninguém no final de contas. Quem vive de preconceitos, esqueceu-se que a cabeça, deveria servir, para refletir e não para nos limitarmos, a seguir com a maré. Mas enquanto sonho com um mundo, que me parece cada vez mais longínquo, sou obrigada a conviver, com quem ainda acredite, que a cabeça só serve para fazer penteados. O amor existe e ninguém deve ser privado dele, aceitem isso, se não conseguem, respeitem, isto se não for pedir muito. Obrigada.

Feira de vaidades

Visitar um cemitério ontem, seria como entrar numa feira de vaidades. Perdoem-me alguma arrogância na voz, mas isto, incomoda-me. É como se estivéssemos a viver um concurso, em que o vencedor é o que comprou mais flores e mais velinhas. Instala-se um contrassenso entre morte e exibição, como se algum dia tal ligação pudesse fazer sentido. Um sítio, com uma carga emocional tão forte, vê-se carregado de sentimentos absurdos, fúteis e no meu ver, incompreensíveis, tratando-se da data em questão. Estamos a falar de um dia, em que é suposto, recordar os entes queridos. Um dia, que deveria ser sinónimo de saudade e que se tem vindo a transformar, nisto. Revolta-me pensar-se desta forma, revolta-me saber que atitudes destas, se propagam como pragas. Se não conseguem respeitar a data em questão, nem o espaço em que a ‘celebram’, respeitem pelo menos, os vossos. Lembrem-se que deveria ser por eles, apenas e só, e pela saudade que deles sentem, que os quiseram visitar e lembrar.

Bruxedos

Desculpem lá se não gosto do Halloween. Respeito os seus fervorosos adeptos, mas a mim, a data, diz-me zero. Detesto as maquilhagens, tenho pânico de qualquer tipo de máscaras e um cenário tão negro, não me estimula minimamente. Admiro as capacidades artísticas de alguns dos seguidores e toda a criatividade envolvida, não nego. Mas por mais que me esforce, não encontro a mínima piada, nesta espécie de celebração. Não sei se será pelo facto, de ser tão pouco nossa, ou ser apenas uma questão de gostos. Entre fantasmas, vampiros, sangue, abóboras e teias de aranha, era suposto, haver uma ligação logica, ou algo que para mim fizesse sentido em todo este enredo, mas por e simplesmente, não há. Comparo este cenário, tão pouco luminoso, ao clima e á incerteza, em que hoje vivemos. E se é caso de celebração, que venham de lá os confettis e as cores alegres. Que me perdoem, os que estão neste momento a vivenciar, umas das suas datas favoritas, eu terei de continuar, a fizer não aos ‘bruxedos’, lamento.