Monthly Archives: Janeiro 2013

86,400

Somos bombardeados diariamente com milhares de vídeos que se propagam como vírus pela internet e pelas redes sociais. 90% Desses mesmos vídeos, de muito pouca qualidade, mas que de repente atingem números de visualizações estonteantes. Tento fugir a esses estranhos sucessos cibernéticos, mas de quando em quando, aparece um que vale realmente a pena ver. Um dia tem 86,400 segundos, quantos de nós sabíamos isso ou algum dia tínhamos pensado nisso? Olhando para este mesmo número e pensem em quantos milhares de segundos não desperdiçamos todos os dias. Imaginem agora a infinidade de oportunidades que surgem durantes este tempo e que nós não sabemos aproveitar. Nós somos famosos por sermos hospitaleiros, mas a verdade é que uns com os outros, não o somos. Podemos tomar café todos os dias no mesmo sítio e mesmo assim nunca termos falado com a pessoa que nos serve, nunca termos tido a curiosidade de saber sequer como se chama. Quantas vezes não fizemos uma viagem longa com alguém ao nosso lado e deixamos que o tempo passasse em total silêncio, quando poderíamos ter tido uma agradável surpresa? Temos de ser mais ousados e encarar todos os dias como um mar de novas oportunidades para agarrar, novas pessoas para conhecer e novos desafios para lidar. 

Rotina

Estamos sempre a queixar-nos das rotinas. Os malditos despertadores que tocam sempre á mesma hora e que nos levam sempre aos mesmos lugares. Lugares que tantas vezes nos obrigam a ver sempre as mesmas caras, caras que tantas vezes preferíamos não ver. Passamos a vida a traçar planos que nos façam escapar dessas rotinas. Planos que envolvem experiências alucinantes, lugares longínquos e pessoas de outro mundo. Invejamos as pessoas que conseguem libertar-se das amarras do dia-a-dia e arriscam perder-se. Sonhamos e sonhamos com esse dia em que vamos ser loucos e ousar a ousadia de sermos diferentes. Mas há um dia em que sem sequer termos pensado nisso, algo quebra o velho compasso. E o que supostamente seria a concretização de algo há tanto desejado, traz um sabor amargo. Quando tudo finalmente foi diferente, ansiamos por estar de volta ao tédio habitual. Como disse um dia uma amiga minha ‘é como estar no meio de uma paisagem deslumbrante a pensarmos na nossa sanita’.

Acção

A minha paixão pelo cinema tem vindo a intensificar-se ao longo dos últimos anos. Todas as noites vejo um filme e quando a agenda assim o permite, podem ser três ou mais. Ganhei o vício às sensações que a descoberta de um novo filme, nos pode trazer. Quando a sessão começa eu estou de imediato disposta a perder-me. Durante aquele período, eu vivo aquelas vidas, conheço aqueles lugares e acima de tudo, deslumbro-me com tudo o que sou capaz de sentir. Mas esta experiencia nem sempre é agradável. São-nos apresentados personagens na tela que nos fascinam de tal forma, que não sabemos depois lidar com esse conhecimento. A película acaba e somos instantaneamente obrigados a regressar á realidade e a perceber que muito provavelmente, as nossas vidas não serão tão fascinantes e que o nosso nome pode vir a não ser lembrado. A maneira como se gere esse murro no estômago é a chave do enigma. Ao invés de nos debatermos com as nossas fragilidades, devemos aproveitar esse momento de desespero como um reforço na nossa motivação e no nosso empenho. Devemos aprender a sonhar e a lutar pelo que queremos, cientes dos nossos medos e não deixando que os mesmos nos afastem dos nossos objetivos. Temos o direito de pedir mais e de ambicionar em grande escala. A nossa vida é o nosso filme e nós podemos realiza-lo, produzi-lo, estabelecer cenários, escolher os personagens que devem participar e ditar o rumo da história. O que acontecer nos entre tantos, não é nada mais que a própria vida.

O outro lado

Quando se partilha uma mensagem, mesmo que seja entre duas pessoas de uma língua comum, o que é absorvido desse mesmo conteúdo, nunca é igual. Quando venho aqui diariamente partilhar as minhas palavras, sei o porquê de as dizer e o que é que as mesmas me transmitem e fazem sentir. Quem recebe as minhas palavras, interpreta-as de acordo com as suas vivências e constrói o seu cenário. A escrita e a consequente leitura têm este poder maravilhoso nas pessoas. Nós lemos uma coisa e imaginamo-la na nossa cabeça, escolhemos os personagens e sabemos o porquê dessas escolhas. O que eu escrevo aqui chega a um razoável número de pessoas e nenhuma o recebe da mesma forma. Eu não sei quem são todas essas pessoas que me leem, mas eu própria as imagino na minha cabeça. Eu acredito que o ato de pensar, é maioritariamente bom. E quero acreditar que incito as pessoas a pensar, sempre que decidem ler as minhas palavras. Uns dias em coisas mais duras e menos felizes e outros dias em coisas boas, que sabem bem. A ação da escrita não é mais do que uma partilha íntima do nosso mundo interior. Quando não houver leitor, não há interpretação da mensagem e a escrita perde a sua razão de ser. 

Para sempre

Hoje vi um casal de velhotes num café e fiquei a admira-los. Ela passou-lhe a mão na cabeça a certa altura e sorriu-lhe. Aquele simples gesto estava carregado de um carinho e de um conhecimento profundos, uma intimidade genuinamente bonita. Imaginei um sem fim de anos partilhados, tantas rotinas, tantos momentos. Ali estavam dois companheiros, mas também dois amantes, que souberam gozar o tempo ao invés de o ver passar como um castigo. Hoje em dia as pessoas têm alergia a tudo o que possa ser mais definitivo, não acreditam em ‘para sempre’, muito menos em valores como a fidelidade ou a lealdade. Vejo-me a navegar no sentido contrário, mas sem a mínima intenção de converter alguém às minhas crenças. Eu vivo aquilo em que acredito e por mais que a vida me tenha mostrado o reverso da medalha vezes sem conta, eu continuo a acreditar cegamente nos finais felizes. Continuo a acreditar que todos temos alguém que foi talhado á nossa medida, alguém com quem fará absoluto sentido querermos partilhar os nossos dias enquanto aqui estivermos.

2013

O início de um novo ano vem carregado de expetativas. É como se durante aquela contagem decrescente, nos fossem injetando esperança e força. De repente sentimos que seremos capazes. Fazemos as habituais listas de resoluções e enquanto as escrevemos parece-nos evidente que as conseguiremos concretizar, por mais longínquas que tantas vezes estejam. Mas fazemos também balanços, que muitas vezes nos obrigam a mudanças nem sempre fáceis. Basicamente o ano novo traz-nos um ingenuidade que na dose certa nos fará bem. É bom ter objetivos, ter algo que nos obrigue a lutar e que nos dê o alento necessário para nos levantarmos todos os dias da cama. Eu acredito que apesar dos nossos muitos defeitos, sabemos ser perseverantes e que mesmo nas alturas mais difíceis algo nos faz acreditar num dia melhor. Todos temos a nossa fé, seja ela qual for. As pessoas começam a estar cientes da realidade e começam lentamente a ter noção das mudanças que acontecerão e das que teremos nós próprios de fazer. Nós temos um espirito lutador e não vamos baixar os braços. Que venha 2013 e os desafios a que nos propusemos, nós faremos o nosso melhor. ‘No hope, no glory’.