Fuga

Às vezes precisamos de respirar ares novos, ares diferentes, até aí nada de novo. A questão é que é muito difícil conseguirmos detetar o exato momento em que devemos faze-lo. Tantas vezes estamos em estado de ebulição e não nos damos conta, deixamos que a nossa agenda se encha e que em ritmo ainda mais alucinante, o nosso reservatório de bem-estar comece a transbordar, lenta e discretamente. Quando cheguei este fim-de-semana ao Porto, senti de imediato que precisava de estar ali. O meu fascínio pela cidade é obviamente um fator de imediata felicidade, mas não era apenas isso. Precisava de cheirar todos aqueles lugares e encher os meus olhos com todas aquelas cores ternas e duras ao mesmo tempo. O meu coração precisava daquele cheiro de mar e os pés de andarem, andarem, até deixar de os sentir. Palmilhar aquelas ruas, sentir a respiração ofegante mas a querer sempre mais, a implorar. É estranho o quão reconfortante podem ser mil rostos desconhecidos, que não querem nada de nós e que às vezes até nos brindam com sorrisos desinteressados. Um café na Ribeira, num dia bonito e solarengo e com o Caetano Veloso a encher os nossos ouvidos, sempre de forma tão leve mas intensamente profunda. Agora que regresso, percebo o peso que lá deixei e o quão recarregada me sinto. Fugir não é a solução, mas por vezes é o melhor remédio.

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2 thoughts on “Fuga

  1. TECAS diz:

    como sempre um prazer de ler .

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