Monthly Archives: Abril 2013

Promessa de bons ventos

Tantas vezes questiono as vantagens das novas tecnologias, tantas vezes me revolto contra elas e tantas vezes as encho de injúrias. Mas tem de existir o reverso da medalha e hoje voltei a recordar o bom que delas adveio. Uma chamada telefónica que por e simplesmente altera todo o rumo do nosso dia. De repente tudo o que correu mal foi esquecido, como se nunca tivesse sequer acontecido. Uma voz de quem tanto tinha saudades e com a qual adormeci e acordei por tantos e tantos dias. Quando se gosta muito de uma pessoa e a cumplicidade abunda, a linha do tempo desfaz-se. Podem passar-se anos de ausência e nada mudar, tudo permanecer intacto. São amizades que não esmorecem nunca e que crescem sempre. Hoje o meu dia ficou completo com a voz desse tão querido amigo e com a promessa de um reencontro breve. Continuo a odiar este mês de Abril, mas mantenho-me firme e sem desanimar com a antecipação de um mês de Maio bem doce. Vou continuar a riscar os dias no calendário e a sonhar com uma viragem no tempo que me traga ondas de otimismo e de boa disposição. Vou aproveitar que as minhas longas noites de sonhos ininterruptos ainda não pagam imposto. 

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Abril odeio-te!

É oficial tenho o meu canal lacrimal roto. Na última semana chorei em média uma vez por dia, durante longos e penosos minutos. O fato de olhar para a minha perna direita e ver gesso até ao joelho em combinação com publicações diárias de pessoas bronzeadas na praia, não tem ajudado. Eu sei que o resto do mundo não tem culpa, mas podiam tentar poupar-me só um bocadinho. Depois aparece a Ellen com pedidos de casamento em direto entre casais super, híper, mega fofinhos e lá começam elas a escorrer-me pela cara entre soluços. Como se tudo isto não bastasse aparece o Masterchef com a concorrente mais fofinha de sempre e enquanto não disseram que ela tinha ganho, ia tendo um ataque de coração. Quando finalmente a anunciam como vencedora, começou a loucura das lágrimas! Talvez a única solução seja deixar de ver televisão e evitar o Instagram, porque esta instabilidade parece estar longe de me abandonar. Sim a chegada da primavera animou-me, mas não é como se pudesse realmente usufruir dela. Aguardo melhoras para este desconsolo, até lá aturem-me. 

Mundos inseguros

Nunca poderei assistir apaticamente a situações como a que assistimos ontem em Boston. A leviandade com que certos indivíduos encaram a vida e a morte é algo que me incendeia o espirito. Indivíduos que acreditam ser deles o direito de tirar a vida de outros, de pessoas inocentes, mães, pais, filhos. As imagens pós as explosões são mais do que chocantes, são um hino a uma revolta que acredito seja geral. Somos tão modernos, tão avançados, mas tão insignificantes perante acontecimentos desta dimensão. A tecnologia pode ter-nos trazido uma falsa sensação de segurança, mas enquanto certas mentalidades fundamentalistas existirem, nós não estaremos verdadeiramente seguros, essa é dura verdade. Quando somos obrigados a encarar tragédias como esta, não só de angústia e de fúria se enchem os nossos corações e se debatem os nossos pensamentos. Que estes tristes e dolorosos momentos nos lembrem que nós não nascemos com data de validade, não sabemos quando por e simplesmente vamos ‘expirar’. Vamos por isso mesmo fazer por viver mais, por viver melhor e por obviamente, amar muito. Podemos ser tanto, porque havemos então de ser tão pouco?

Sabor amargo

Analisar pessoas faz parte da pessoa que eu sou. Gosto de me sentar num café e observa-las. Estudar os seus tiques, os seus comportamentos, a maneira como falam e vão mexendo as mãos. Passado esse primeiro impacto e feita essa análise, começo a criar a minha tese. Imagino o que fazem na vida, como se sentem, o que estão a pensar ou sobre o que falam. Aprende-se muito durante este tipo de exercícios, mesmo que indiretamente. Existem momentos e acontecimentos que nos fazem acreditar que conhecemos bem determinada pessoa, que a nossa análise terminou e foi bem-sucedida. Essa sensação é agradável e aproxima-nos ainda mais. Quando uma pessoa que considerávamos conhecer bem, tem uma atitude inesperada e negativa, a sensação é contrária. Sentimos que o nosso julgamento estava errado ou que de alguma forma fomos de encontro a um equívoco. O passar do tempo não me trouxe uma maior aceitação destas súbitas mudanças. Continuo a desiludir-me e a não saber lidar com o desengano. É como escolher um rebuçado com um aspeto doce e com uma embalagem apelativa, imaginar o quão prazeroso e agradável será e de repente sentir um sabor amargo quando o pomos na boca. As pessoas são de fato caixinhas de surpresas, mas algumas vezes são absurdamente desagradáveis.

Imbecilidade descomedida

Existem seres humanos que não são dignos desse estatuto visto que ao fim e ao cabo as suas ações refletem um comportamento totalmente desviante e moralmente inaceitável. Várias vezes aqui enalteci as boas surpresas que podemos ter através das redes socias, mas senti infelizmente senti o sabor amargo do reverso da medalha. As fotografias que feriram os meus olhos e principalmente os meus valores e princípios, continham algum tipo de legenda que provavelmente referiria a nacionalidade dos quatro indivíduos que nela pousavam, mas não consegui sequer ler. O conjunto de três ou quatro fotos mostrava esses quatro indivíduos com um gato a quem tiravam a pele e cortavam a cabeça. A última das fotos era com o corpo numa mão e a cabeça noutra numa pose de extremo orgulho no acreditado ‘troféu’. Sei que circulam diariamente imagens deste género, com gatos e com outros animais e todas carregadas de uma violência bruta que fere a sensibilidade de qualquer um que a tenha. O que eu sinto em relação a isto é uma revolta incomensurável e uma vontade absurda de conseguir que esses homens sentissem o mesmo de alguma forma. Pessoas que cometem atos criminosos como estes, por e simplesmente tem de estar desprovidas de um coração e de sentimentos. Os seus sorrisos criam-me uma sensação terrível de nojo e de náusea e apesar de não ter por hábito desejar o mal alheio, aqui a situação muda de figura. Desejo efetivamente que algo lhes doa na pele e que sofram o tormento da insanidade a que querem desesperadamente sucumbir. Existem más pessoas, esta é a prova disso.