Pálpavel-mente

Somos adeptos aguerridos de tudo o que seja palpável. Precisamos de pôr a mão nas coisas, nos assuntos e nas pessoas, literalmente falando ou agindo. Pegamos, reviramos, esprememos e agitamos como se daí deslindássemos o real valor dos objetos e das conversas e sim, também dos outros. Precisamos de conhecer os contornos, as curvas e os moldes. Podemos parecer exigentes e precisos nestas ações, mas não o somos. Nos malabarismos destas situações, perdemos o sentido da observação. Somos inclinados ao toque e esquecemo-nos da beleza que está na visão, no deslumbramento que nos pode trazer. Pior do que tudo isto, é que sendo o conteúdo, o que verdadeiramente importa, na maioria das vezes não o chegamos a conhecer. Talvez pensemos mas certamente não refletimos. Estamos a tornar-nos seres não-espirituais e se isso nos aproxima das máquinas, não pode ser esse o caminho certo. Precisamos de caracterizar, definir e rotular tudo e isso não poderia ter um sabor mais insonso. Às vezes sabe bem ficar sem palavras, mesmo para alguém como eu, que vive delas. Vamos mastigar melhor, analisar com diligência e polvilhar com uma dose q.b de mística. 

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