Monthly Archives: Maio 2013

Coisas que não combinam com amor

Acreditamos que para algo ser perfeito entre duas pessoas tem de haver uma fusão. Eu acredito que não poderíamos estar mais errados. Uma fusão implica que na união de duas coisas, ficará apenas uma, que uma se fundirá na outra e isso obviamente obriga a uma anulação de uma das partes ou de ambas. Parece confuso e efetivamente é, mas a culpa mais uma vez é maioritariamente nossa, dos que assim o querem acreditar. Voltando às minhas crenças, quando falamos de uma relação entre duas pessoas, eu acredito que tem de haver um encaixe sim, não essa tal fusão. Não é por acaso que procuramos que as coisas façam sentido constantemente e em diferentes aspetos das nossas vidas. A realidade é que esse sentido não é mais do que a prova de que vamos no caminho certo e nós comuns mortais, precisamos desse sinal quase divino para nos iluminar pelo resto do percurso. Nas relações de hoje encontro ainda essa ideia antiga e usada de que o amor pode requerer uma aniquilação de quem somos. Mulheres e homens que abdicam de viver as suas verdadeiras identidades em prol de um outro e mulheres e homens que permitem que esse alguém cometa esse crime por eles. Nada no amor pode fazer menos sentido do que o extermínio do nosso próprio eu. O amor deveria ser livre e nós o fruto dessa mesma liberdade.

A vida tem pequenos pecados deliciosos. Pequenos momentos que caminham no inesperado e nos arrebatam e nos tiram o ar. São as pessoas, na grande maioria das vezes, são pessoas que me proporcionam estes momentos. Com todo o mal que há neste mundo, cravado em tantos corações perdidos, eu acredito cada vez mais na vitória do bom. Porque hoje eu apaixono-me constantemente pelas pessoas que me rodeiam. A amizade não é mais do que uma das facetas do amor. E é também por isso que hoje dou ainda mais valor aos afetos, às mãos que aperto e que me vão equilibrando nesta linha tão inconstante que é a vida. Hoje sinto o meu pequeno coração resguardado e a pairar sobre uma maravilhosa cama feita de algodão. E é também hoje, por mais longo que ele vos possa parecer, que percebo o calor da intimidade e de uma cumplicidade puramente certa e genuína que não rouba nada. O enquadramento perfeito que pode ser o nosso espaço e o que é comum a outros. “That’s when you know you’ve found somebody really special. When you can just shut the hell up for a minute and comfortably share a silence -Pulp Fiction”

A vida a ser ela própria

Tudo o que é verdadeiramente bom tem um reverso. Todas as fontes onde buscamos satisfação têm dor na mesma quantidade. Em palavras muito nossas, tudo nesta vida são ‘paus de dois bicos’. Um exemplo flagrante disso mesmo, é a música. A música tem um poder de transporte que dificilmente poderá ser explicado. Leva-nos em viagens grátis por caminhos nunca antes vistos, onde tudo parece possível. Pode acalmar-nos na mesma dose que nos pode levar a estados de alucinação, loucura, êxtase. Consegue ser leve e pesada como uma anestesia que nos aprisiona e liberta ao mesmo tempo. Umas vezes entorpece-nos os sentimentos outras revolta-os ainda mais dentro de nós. Talvez o seu maior poder seja que funcione como uma caixa de recordações. Pode trazer-nos de volta momentos, pessoas, sentimentos e conseguir matar alguma saudade ou atenua-la de alguma forma. Por outro lado pode trazer á tona velhas mágoas, amores nunca esquecidos, angustias que o tempo não consegue apagar. Mas consegue sempre atingir o equilíbrio na balança. É uma constante surpresa e um vício apetecível. A música é como a vida e a morte, é o doce e amargo, mas sempre, sempre bom.

Dêem-me música

O dia mais bonito

Temos dias para tudo. Encontro significado numa magérrima minoria. O de hoje é de longe o mais bonito e o que merecia ser celebrado em todos os outros dias do ano. Tudo se torna simples de explicar quando pensamos que estivemos nove meses dentro dessa pessoa. Essa ideia por si só ultrapassa qualquer ideia comum que tenhamos de união, de um laço que une duas pessoas. O amor é um conceito terrivelmente difícil de definir e ainda mais de deslindar em todas as suas formas. Falar do que sinto pela minha mãe, é provavelmente a coisa mais difícil que tentei fazer. Em muitos momentos senti que efetivamente os nossos corações estavam ligados ou que parte do dela estava dentro do meu e vice-versa. Só sei que vê-la chorar é o sufoco mais poderoso que já senti e vê-la sorrir é como um bálsamo. Só sei que a ausência dela magoa e que a sua presença me serena e me faz sentir afortunada. Li algures que as mães deviam ser eternas e nada me parece mais verdade. Torna-se irracional ousar que esta união se quebre. E por todos estes motivos hoje ela merece ser celebrada juntamente com a minha avó que, como ela própria diz é minha mãe duas vezes.

Mãos à obra

Sendo hoje dia do trabalhador, não prevejo melhor data para falarmos disso mesmo. A semana começa e começamos também nós a sofrer por antecipação com a quantidade de trabalho que nos espera. Geralmente a quantidade advém da nossa preguiça e da nossa facilidade de acumular tarefas para depois como se esse ‘depois’ fosse um armazém com infinito espaço, mea culpa. Quando recebo as datas de entrega dos trabalhos parecem-me sempre absurdamente longínquas e de repente acordo e faltam dois dias. Passado o momento de choque e pânico, entro na fase do auto-insulto ‘Porque é que és tão preguiçosa?’; ‘É bem feita Marta, é bem feita!’ Numa terceira fase transformou-me numa autêntica máquina e transformo a pressão numa fonte de motivação. E foi assim que o meu dia de hoje terminou, dois trabalhos feitos, revistos e enviados e ainda algum tempo para estudar. É este o poder do trabalho, ser dono das nossas maiores dores de cabeça, mas conseguir ser também deliciosamente compensador. Saber lidar com ele da melhor forma é por si só a melhor ferramenta de trabalho a que nos podemos aliar. Let’s go to work fellows!