Mal du siécle

Nós não deixámos o mal du siécle para os tempos áureos do Romantismo, em compensação fomo-lo alimentando e ele coabita connosco até ao dia de hoje. O véu da melancolia triste, caiu sobre nós e entranho-nos uma estranha inércia que nos prende os músculos e nos impede de caminhar. Caminhar em frente, porque caminhar em círculos e dar passos para trás, é connosco. Os sintomas da depressão, essa tal angústia de existir, é agora banalizada e todo e qualquer individuo já ousou gritar em plenos pulmões que a conhecia intimamente. Vestimos a rigor este cinzentismo pegajoso e andamos por aí em linhas tortas, uns atrás dos outros. Sorrisos cerrados, olhos baixos e sonhos vazios. Até a evasão do malfadado mal du siécle nós conseguimos trazer até á atualidade. Hoje em dia ser diferente é querer não estar aqui presente. Queremos todos ser forasteiros, eternos viajantes, nómadas dos tempos modernos, com todas as comodidades que eles nos trouxeram. Apetece-me explicar ao mundo que quem não sabe viajar em pensamento, ficará para sempre ancorado. 

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