O meu lugar

Nós criamos a estúpida ideia de que um dos princípios de estarmos aqui é com a intenção explícita de termos um lugar, só nosso. Passamos a vida em esquemas e estratégias de integração, de interação e de superação. Todos os dias são uma prova contínua, uma competição absurda e tudo em função dos outros, dos espetadores. Temos supostamente mundos e fundos a provar-lhes, necessitamos impacientemente dos seus aplausos, das congratulações, das suas aprovações. Saltamos barreiras, para que eles nos abram portas. Não nos questionamos e mantemo-nos fiéis a uma batalha que não escolhemos e cujas vitórias não alcançaremos. E se eu decidir que não quero construir o meu lugar segundo as estipulações previamente criadas, segundos as normas de uma sociedade onde na maioria das vezes não sinto pertencer? Eu não tenho terreno para esse meu lugar, porque ele não existe nem poderá existir fisicamente. Eu tenho um lugar em todas as cidades pelas quais me apaixonei, nos corações de todas as pessoas que amei, nas mãos das crianças que toquei, em todos os livros com que cresci, em todos os filmes que me tiraram o sono e me fizeram pensar. O meu lugar é omnipresente e ubiquitário, é louco e livre. É meu.

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