Uma vida de porquês

A idade dos porquês tem-se prolongado infinitamente na minha vida. Se antes esses porquês tinham como simples intuito o sabor fresco da curiosidade, do conhecimento de um admirável mundo novo, hoje as suas provocações são outras. Hoje eu não grito os meus porquês aos outros, mas ouço-os gritar dentro de mim. Hoje eles não são leves nem infantilmente sonhados. São sofridos e angustiados e todos os dias batalho com eles e contra eles. Hoje também sei que não lhes posso exigir respostas aqui e agora e hoje não me satisfaço com uma qualquer justificação. Faço viagens intermináveis pelo passado, numa busca incessante por pistas, momentos-chave que me acalmem estas malditas interrogações. Hoje esses porquês não me agitam nem são feitos de energia viva, hoje enchem-me de um enorme cansaço e de um desgaste que descaradamente me rouba o sono. Hoje deixo que por vezes me sufoquem e me aflijam, sem que isso tenha o menor sentido. Por tudo isto, a idade adulta é tantas vezes como um terreno árido, de ventos secos e dias absurdamente longos e pouco meus.

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