Memória involuntária

A nossa vida é feita de um variado número de processos que nos acontecem involuntariamente. O famoso cliché carpe diem, tomado por muitos como uma verdade universal, não poderia fazer menos sentido. É muito bonito viver o agora, mas o agora já passou, agora. O passado nunca será algo a que possamos fugir, algo que podemos trancar numa gaveta e fingir que um dia existiu. O processo da memória involuntária é provavelmente um dos mais fascinantes, entre todos a que vamos estando sujeitos. Marcel Proust estava a comer uma ‘madalena’ quando essa mesma ação levou a um momento de flashback, que como consequência teria a escrita de um dos seus volumes Time Regained. Todos os dias os nossos sentidos são estimulados por influências exteriores que muitas vezes nos levam a outros lugares, ao encontro de pessoas. Quantas vezes, um cheiro não nos obrigou a voltar a algum momento da nossa infância, não nos lembrou alguém ou não nos arrepiou sem explicação aparente. É nestas estranhas aparições que o que nós fomos e vivemos, se manifesta sem que seja essa a nossa vontade. Tal como nenhum futuro existe sem presente, nenhum presente existiria sem um passado.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: