A nudez da escrita

A escrita tem tanto de humano como de animal. Obriga a uma honestidade tão assumida e a um autoconhecimento tão profundo, que se torna selvagemmente primitiva. Há uma ousadia intrínseca ao ato da escrita. Quando se decide correr por este mundo de letras, os medos tem de ser assumidos para serem enfrentados. A escrita despe, expõe e desperta. Só se pode escrever de forma inteira e indisfarçável. Não entendo isso da escrita light, imagino que por ser magra obrigue a uma contenção que entra em confronto com a essência do que deve ser a escrita. Para o leitor tem de haver um arrebatamento, uma química que o saiba enfeitiçar. Os verdadeiros devorantes percebem que no mundo dos livros somos prisioneiros livres. Um leitor é um ser humano mais poderoso e altamente mais atento que um não-leitor. Nesta corrida a que nos dedicamos diariamente, são os leitores que mais depressa cheiram a meta. Um mundo que lê é um mundo que vê.

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