A minha Coimbra

Eu sou uma privilegiada. Estudar em Coimbra é bom mas viver é ainda melhor. A minha segunda casa está no centro de tudo o que me sabe bem. Viver na rua do Penedo da Saudade é por si só nostálgico, mas um tipo de nostalgia que alimenta a Alma. Ter o Jardim Botânico como parte do meu percurso diário é bom demais. Tornou-se um refúgio para onde fujo entre um longo dia de aulas e o regresso a casa. Vou lá essencialmente para respirar. Respirar no verdadeiro sentido da palavra e da própria ação. No café ao lado ganhei mais do que a simpatia de quem me serve diariamente a bica, o carinho e a amizade de alguém que genuinamente me quer bem. Essa bica transformou-se em longas conversas, gargalhadas e desabafos. Tenho aqui os maravilhosos passeios pela Baixa, que honestamente têm outro sabor quando vou sozinha. Escolho o ritmo da passada, as paragens obrigatórias e perco-me conscientemente nas horas. Gosto da agitação da Praça da Republica e das descobertas artísticas que tenho feito em noites longas no TAGV. Coimbra sabe-me bem mesmo quando me tenta saber mal. Sob o Arco de Almedina entre o ditongo e o til/ lá onde cheira a nardo e a jasmim/no interior dos pátios entre a cedilha e o trema/ do outro lado da língua onde de súbito/ o poema, in ‘Coimbra nunca vista’ de Manuel Alegre.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: