Velhos são os trapos

Uma das definições de envelhecer é ‘tornar-se desusado’ ou seja ‘que não se usa’. Vivemos uma realidade que prova que muitos levam essas palavras à letra. O pior de envelhecer não são as rugas nem os ossos a enfraquecer, nem a memória a falhar nem os cabelos brancos. O pior de envelhecer não é deixar de trabalhar, mudar as rotinas nem criar novas. O pior de envelhecer é a solidão. É a claustrofobia das quatro paredes, os infindáveis silêncios e a mesa para um. São as conversas que não se têm, as piadas que não se partilham e os pés sempre frios na cama. O pior não são as dores mas sim não ter ninguém que as oiça. Vivemos num país de velhos que estão maioritariamente sozinhos porque alguém decidiu deliberadamente esquecer-se deles. Um país de ingratos que gere as suas vidas de forma a ignorar quem os trouxe até aqui. Todos sabemos qual será a nossa última paragem, mas tendemos em esquecer que o fim deveria ter a mesma importância do início e que ninguém o deveria encontrar sozinho.

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