Faz tempo

Faz tempo que não sei quanto tempo faz. Há dias que parecem mares revoltos, zangados que levam tudo e não deixam nada. Há outros que são pequenas ondas que se enrolam umas nas outras e deixam marcas na areia. O tempo às vezes passeia-se, demora-se e estica-se como um elástico entre os dedos. Às vezes corre desenfreado, ninguém o vê passar e quem o tenta agarrar, vê-o escorregar entre as palmas das mãos. O tempo parece tão certo, enclausurado nos mostradores dos relógios, tão mecanicamente trabalhado pela força dos ponteiros, mas em nós nunca é igual. É engenhoso ao mesmo tempo que é pueril e quase clandestino. Um vagar ininterrupto de instantes dos quais temos de fazer sentido. Não devemos deixa-lo passar sem que seja nosso, temos de eterniza-lo de alguma forma. Faz tempo que o tempo é o que o tempo quer, mas isso só alicia a vontade do desfrute.

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