Monthly Archives: Julho 2014

Divagações várias

Sorrir calado dizem ser muitas vezes o melhor remédio. Não desminto que assim o seja e só eu sei o quanto seria mais feliz se o soubesse fazer. Mas quem nasce com o coração perto da boca sabe que é uma tarefa absurdamente árdua contar até três quando a tampa salta. E depois das raríssimas vezes que alcançamos tal proeza, fica aquela sensação angustiante do que ficou por se dizer. Ficam as palavras todas uma por uma, apertadas na garganta sem saberem como sair. Houvesse uma ponte segura entre as duas opções, mas nestes momentos acaba por ser comer e calar ou perder as estribeiras e lidar com o que daí poderá vir. Ninguém disse que era fácil, mas ás vezes porra!

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Só de ida

Todos os dias os malditos noticiários nos bombardeiam com dramas e tragédias que apenas deveriam reforçar o quão curta é a nossa passagem por aqui. Num segundo tudo acaba e eu não consigo imaginar nenhuma luz branca ao fundo do túnel, mas um inesperado e definitivo encontro com o escuro. Sem despedidas, sem declarações, sem pazes nem promessas de dias melhores. A realidade é esta e agora desenmerdem-se e aprendam a viver com isto da melhor maneira. Menos perdas de tempo com o politicamente correto, com viver a nossa vida em função dos outros e do que os olhos deles esperam de nós. Só há uma oportunidade de fazermos e sermos o melhor que podemos ser. Se todos os dias nos limitarmos a traçar planos, delinear objetivos e criar listas absurdas, um dia o jogo acaba e nós nem chegamos a ver a meta. Talvez hoje seja o dia de dar a volta ao mundo em vez de ficar a vê-lo correr num quadrado.

Mais amor por favor

O amor são pés com pés. Silêncios partilhados que sabem a algodão doce. Um abraço no fim do dia que aquece o coração e apaga tudo o que não foi digno de ficar. São quinhentos dias de Verão. É um sorriso que se rasga sem motivo antes de irmos dormir. É a mão que se aperta antes de uma notícia que se anseia. É uma tarde inteira na cozinha a polvilhar carinho entre as especiarias. É dormir numa conchinha. É ter saudades mesmo quando se está perto. É procurar a pessoa entre as personagens dos livros para poder amá-la noutra dimensão. É reconhece-la naquele refrão que não nos sai da cabeça. A liberdade do pé descalço. São borboletas a dançar o tango na barriga só de pensar no instante do reencontro. Quem ama consegue ver o Sol atrás das nuvens e não as nuvens atrás do sol. Que se lixe a história do q.b e do peso e medida. Se é para amar que seja desenfreadamente, insubordinadamente, exorbitantemente.