Silêncios constrangedores

Somos acérrimos consumidores de silêncios constrangedores. Em todo o clássico vazio auditivo do elevador e em todo e qualquer lugar onde se alimenta a espera. Imaginemos a quantidade assustadora de tempo que já passamos ao lado de desconhecidos e em que não ousamos abrir a boca. Horas perdidas pela timidez que privaram os nossos ouvidos de um sem fim de histórias e de tudo aquilo que pode advir de quem se aventura por caminhos não antes trilhados. Depois de dois dias consecutivos e de demasiados minutos de sufocante silêncio decidi quebrar o gelo. E assim, inesperadamente fiz uma amiga na paragem do autocarro. Provavelmente seremos apenas amigas durante as nossas estadias naquele banco mas isso não torna a história menos interessante. É genuinamente engraçado como depois de poucas perguntas em modo interrogatório se descobrem de imediato tantos gostos em comum. Hoje já nos despedimos a sorrir, contentes por termos tornado uma espera rotineira e desinteressante num momento bem passado e com a confirmação de próximos capítulos. Amanhã lá nos encontraremos, eu e a amiga da paragem do autocarro e os dias de silêncios constrangedores dão assim ordem de encerramento por tempo indeterminado.

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