Monthly Archives: Dezembro 2014

Mudam-se os tempos

Dizem que com a mudança dos tempos se mudam as vontades o que é apenas e só uma maneira de suavizar que as vontades não são mais do que as pessoas. Há quem diga que ninguém muda e que o tempo só leva a poeira e destapa o véu do que sempre esteve lá. Não digo que isso não possa ser verdade, mas não é a regra. Eu vejo as pessoas mudarem. Não é coisa que se capte a olho nu, nem acontece assim do pé para mão mas para quem decide ver para além do óbvio, as diferenças estão lá. Existem obviamente diferenças boas. Diferenças necessárias até. Eu decidi que não poderia continuar a ser um bicho ao acordar, por exemplo, e o mundo agradeceu. Mas quando a diferença que vemos é apenas estranha e não traz compreensão, por norma apenas magoa e cria incerteza. Quando a mudança vem torta parece que leva o que até então era genuíno e supostamente intrínseco a essa pessoa. Verdade seja dita, isto são tudo males de quem pensa demais e de quem decide fazer perguntas ao que todos os outros decidem apenas cruzar os braços e aceitar resignadamente. Eu sou adepta do doloroso e aborrecido ato de remoer de forma absurda e continuada e sim, falhada na maioria das vezes. Esta coisa de sermos todos adultos assim de repente é chato e há alguns não assenta nada bem.

Fora com os dias banais

Há dias em que não acontece nada. Apenas e só habitual monotoniazinha insonsa. Uma consequência continua de pequenas ações que efetuamos quase mecanicamente como se máquinas fossemos. Dias em que o trabalho é chato, os colegas aborrecidos e em que o tempo está uma merda só para fazer pandã. Mas depois há dias em que não há nada que não aconteça e hoje foi um desses dias. Hoje em frente à porta da FLUC encontrei um rapaz sem calças e com o dito cujo tapado com fita adesiva, enquanto se manifestava de forma silenciosa, apenas com um pequeno cartaz onde se podia ler “ Estou disposto a pagar pela minha liberdade”. Não sei de que liberdade em especifico é que ele se estava a referir mas entristece-me pensar no que poderá estar por detrás de um ato destes. Segui caminho e tropecei num momento que obrigatoriamente me fez rir. Um homem de vassoura em punho a correr atrás de um rato que saía dentro da sua loja. A situação em si era suficiente para ter graça mas o genial foi quando o ouço a dizer “Ai Óscar é hoje! É hoje”. Ao que parece o rato já era de casa, literalmente. Para finalizar o meu dia em grande e esta serie de episódios nada banais, conheci o homem mais apaixonado do mundo. O rapaz que estava a pagar antes de mim levava sem exagero umas vinte caixas de bombons Milka e a empregada disse “Olhe que tanto chocolate faz-lhe mal à barriga” e ele responde “Nada disso. Vou pedir a minha namorada em casamento e acho que assim ele não pode dizer que não”. E foi assim que voltei para casa de sorriso estúpido na cara e com a minha crença no amor e nas pessoas completamente restaurada.

Modo: Natal

Chegou o único momento do ano em que faz realmente sentido gostar do Inverno. As ruas vestidas a rigor, a magia das luzes e das decorações e as pessoas que finalmente decidem vir para preencher o cenário. Está muito frio, as mãos estão sempre geladas e nós andamos cobertos de camadas e mais camadas de roupa para tentar fintar a temperatura, mas o coração anda mais do que aconchegado. Andamos mais emotivos, mais calorosos e menos rabugentos. O nosso espirito de entre ajuda aumenta exponencialmente e olhamos mais para o lado e menos para o nosso reflexo. Eu gosto dos presentes e quem não gosta ou diz que não liga está a mentir descaradamente. Mas não os reconheço pelo número de zeros mas pela intenção e vontade de quem mos dá. Gosto dos embrulhos, dos lacinhos, das etiquetas e dos cartõezinhos. Eu amo todo o espirito natalício e a esta altura estou mais do que dentro dele. Já ando feliz e contente com o Frank Sinatra a cantar-me ao ouvido o “Let it snow” logo pela manhã. Para mim o melhor do Natal é o poder que tem de nos humanizar e de nos recordar do que realmente importa e de quem realmente importa. Quão bom seria se fossemos mais natalícios o ano todo mas não se pode ter tudo.