Monthly Archives: Abril 2015

Liberdade

Ouço um povo a gritar liberdade mas questiono-me se sabem o que é ser-se livre. Vejo-os ambicionarem por algo a que desconhecem os cambiantes. Por outro lado há uma procura por uma liberdade individual, egoísta e consequentemente mesquinha. Queremos ser tudo de todas as maneiras mas não esperamos o mesmo dos vizinhos do lado. Deles esperamos que tudo se mantenha calmo e sem ondas. O que ainda se ignora, é que a liberdade só pode chegar, quando o respeito pelo outro e pela sua liberdade já se tenha instalado e custa-me perceber que embora esse dia já esteja mais perto, ele ainda não chegou. Gostava que fossemos mais impacientes e que exigíssemos mais com mais fundamento, com mais conteúdo. Ousemos da liberdade das palavras, aquela a que a custo de tanto sofrimento, agora possuímos. Com menos preconceito, mais respeito e mais amor só poderá nascer maior liberdade.

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Hoje fiz um amigo

A amizade é um conceito perdido na podridão pueril das relações sociais de hoje. Hoje o mundo acredita que a amizade começa com um pedido, como se através de um clique pudéssemos confiar-nos a outra pessoas e assunto arrumado. Parece quase como uma solução mágica que contêm em si o poder de artificialmente criar algo instantâneo. O fruto é tão instantâneo quanto superficial. É uma linha ténue, onde grande parte das vezes, a única coisa que nos liga ao outro, são imagens sem contexto a que permitimos um acesso. Eu compactuo com a existência mas nego-me a crer numa possível concretização. Eu tenho o prazer e em grande parte a honra, de puder saber o que é efetivamente ter um amigo. A certeza e a consciência que tenho permitem-me ver o ridículo destas tais ‘amizades’ que por aí andam e se apregoam como bandeiras. O que tenho para mim, é algo totalmente contrário ao que vejo. A amizade para mim é uma coisa tão especial, que só pode acontecer naturalmente. É uma partilha continuada, um caminho que nunca se faz sozinho e o conforto de sabermos onde pertencemos e essencialmente a quem. Poder reconhecer os que são nossos e saber que é algo absolutamente real, palpável e ridiculamente simples. Viver um silêncio sem precisar de o preencher, trocar um olhar e dispensar perguntas. Já dizia alguém que ‘coisa mais preciosa no mundo não há’.

Ar precisa-se

O tempo passa muito devagar para quem vive nesta impaciência. O meu corpo e a minha cabeça não sabem reagir ao cheiro nauseabundo e pútrido da indecisão. A perpetuação de uma serie de dias em que nada verdadeiramente se distingue. A procura incessante por respostas, por palavras com sentido. Uma luz que apareça e que indique caminho para que se possa romper a inércia e a aridez dos dias vazios. Tento imaginar uma casa gigante, com tantas janelas que os meus olhos não as possam contar. Fechar os olhos, respirar fundo e imaginar que cada janela é uma possibilidade. Crer na minha vontade que apenas uma se possa abrir para que eu respire essa inebriante força da novidade. A força de um ar novo, desconhecido até então e que agora se mostra em todo o seu esplendor e que me permite começar algo, criar algo. Ansiar o desafio, a conquista e a partida.