Monthly Archives: Maio 2015

Mais Mundo

Eu não tenho medo de subir a escada. Não sou diferente da maioria, eu tal como eles, sempre sonhei alto. Criei e recriei diferentes cenários onde nenhum papel me chegava que não o principal, vi as luzes da ribalta e o meu nome em vários sítios, várias cores e diferentes formatos. Nada disso mudou. Ainda fecho os olhos antes de dormir e cerro os punhos, fazendo força para que alguma parte de todo esse mundo que idealizo, se possa concretizar. Não baixei os braços, muito pelo contrário. Ando por aqui, neste país ingrato a fazer pela vida de mangas arregaçadas e de preconceitos debaixo do pé. Eu estou a subir a escada, lentamente, degrau a degrau, mas eu sei que vou chegar lá. Libertei a cabeça da pressão da incerteza, da sofreguidão das respostas que tardam em chegar. Não me permiti desmoralizar nem entregar-me a algum tipo de auto comiseração ou auto piedade. Hoje o mote é sorver cada minuto e cada experiência a que voluntariamente me atiro de cabeça. Para mim tudo isto me dá mais Mundo e termos Mundo em nós nunca chega. O conhecimento chega dos lugares mais recônditos e eu vou guarda-lo todo e descobrir até onde ele me pode levar.

Ninguém disse que era fácil

Ninguém disse que era fácil manejar a arte de sermos seres pensantes. Essa coisa estranha da consciência é um assunto complicado. Mas a realidade é que embora essa característica nos seja comum, não está de maneira nenhuma, doseada em quantidades iguais. Como eu gostava de fazer parte do clã que domina a prática da ‘descontra’, da tranquilidade e do tal estado Zen. Imagino o quão relaxante deve ser não pensar na expectativa do amanhã, chegar á cama, fechar os olhos e adormecer. Eu jogo noutro campeonato, completamente diferente. Desconheço o conceito de ‘relativizar’ e sou mestre em atingir todo e qualquer nível de reflexão. Pegar numa qualquer questão, que de tão pequena se torna quase microscópica e leva-la por caminhos nunca antes descobertos, essa é a minha praia. A parte engraçada, e talvez a única sendo absolutamente sincera, é que algures nesses meandros obscuros do pensamento, acontecem vagas de inspiração. Mas a parte chata é a que de longe pesa mais na balança e sofrer deste mal causa um desgaste que não se recomenda. Dizem que o reconhecimento ou a aceitação são o primeiro passo da cura, portanto devo estar no bom caminho.

Amor sem vergonha

Sou adepta do amor descomplicado e sem vergonha. Desconheço amor que não se possa destapar e que viva numa ténue camada de pretensiosa superficialidade. Esse amor de agora que é tão descartável que nunca traz sabor. Eu só conheço amor sem maquilhagem, amor sem roupa. Nu e cru e para todas as horas. Amor que também sabe a manhãs de segunda-feira e não esse leviano e vulgar com cheiro de sábado à noite. Amor onde às vezes há gritos e zangas porque ninguém está preocupado com a compostura e com a pretensão de algo que não é, de algo que não existe. Sou fã do amor com olheiras, com pijama o dia todo e com comida onde não há rótulos de calorias. Amor que não olha por cima do ombro e que não usa saltos altos. Amor que é chinelo no pé e tranquilidade no espirito. Não me venham com jantares de cinco estrelas, porque prefiro um surpreendente pequeno-almoço na cama feito por ele. Não me falem de contas bancárias porque o dinheiro nunca aqueceu os pés de ninguém. O tal amor e uma cabana só é mito para quem se limita a imagina-lo de forma absolutamente literal. Amor tem de ser melífluo e quando é verdadeiramente bom, não cansa e sim, pode mesmo ser perene, eu ainda acredito.

Ela voltou

Infelizmente a devoradora de livros está de volta. Digo infelizmente, porque os motivos são de inércia profissional. Vivo agora aquele deserto de que ouvia falar, aquela angústia que nos empurra e atira para lugares menos ‘felizes’. O problema de viver este deserto é não haver gotas de esperança que nos possam dar algum alento, nem uma única coca-cola mesmo que em forma de miragem. Mas para lamentações já bastam as que partilho em litania comigo própria, numa base diária e dolorosamente rotineira. Voltemos há parte boa disto tudo e talvez a única que encontro e há qual me agarro como uma lapa. A minha mesinha-de-cabeceira voltou aos bons velhos tempos e arrisco-me a dizer que nem nunca houve tempos em que a carga fosse tanta ou tão volumosa. Estou a usar e abusar dos livros porque se há algo que funciona como terapia para a depressão, são eles. O lugar em que me encontro, permiti-me mergulhar nas histórias e nas personagens e alcançar profundezas onde nunca antes me havia aventurado. Tenho a cabeça tão limpa que o meu pensamento não encontra limites e eu vou viajando tanto quanto posso. No meio de todas essas leituras, houve finalmente um que me arrebatou. Posso gostar muito de um livro mas é preciso muito para que decida ou aliás, sinta mesmo a necessidade, de escrever sobre ele. Foi a segunda vez que li um livro depois de ter conhecido o escritor e de ter tido o privilégio de aprender com ele. Fiquei rendida nas primeiras páginas e vivi o resto do livro num misto de querer ler a alta velocidade e de estar a ser tão prazeroso que queria prolongar e retardar o final. Para mim um bom livro tem de ser uma viagem no verdadeiro e quase literal sentido da palavra e este levou-me para longe, bem longe. Dei por mim a refletir sobre um sem fim de coisas e a alcançar conclusões que foram totalmente novas para mim, mas tudo de forma natural e não por imposição ou exigência da leitura. A minha imaginação correu desenfreada e não evitou as encruzilhadas. Agora o livro acabou e estou a viver aquela fase depressiva em que algo fica vazio até que eu o saiba preencher com a bagagem que dele ficou. Conclusão da história, não fossem os livros e já estaria louca.