Ela voltou

Infelizmente a devoradora de livros está de volta. Digo infelizmente, porque os motivos são de inércia profissional. Vivo agora aquele deserto de que ouvia falar, aquela angústia que nos empurra e atira para lugares menos ‘felizes’. O problema de viver este deserto é não haver gotas de esperança que nos possam dar algum alento, nem uma única coca-cola mesmo que em forma de miragem. Mas para lamentações já bastam as que partilho em litania comigo própria, numa base diária e dolorosamente rotineira. Voltemos há parte boa disto tudo e talvez a única que encontro e há qual me agarro como uma lapa. A minha mesinha-de-cabeceira voltou aos bons velhos tempos e arrisco-me a dizer que nem nunca houve tempos em que a carga fosse tanta ou tão volumosa. Estou a usar e abusar dos livros porque se há algo que funciona como terapia para a depressão, são eles. O lugar em que me encontro, permiti-me mergulhar nas histórias e nas personagens e alcançar profundezas onde nunca antes me havia aventurado. Tenho a cabeça tão limpa que o meu pensamento não encontra limites e eu vou viajando tanto quanto posso. No meio de todas essas leituras, houve finalmente um que me arrebatou. Posso gostar muito de um livro mas é preciso muito para que decida ou aliás, sinta mesmo a necessidade, de escrever sobre ele. Foi a segunda vez que li um livro depois de ter conhecido o escritor e de ter tido o privilégio de aprender com ele. Fiquei rendida nas primeiras páginas e vivi o resto do livro num misto de querer ler a alta velocidade e de estar a ser tão prazeroso que queria prolongar e retardar o final. Para mim um bom livro tem de ser uma viagem no verdadeiro e quase literal sentido da palavra e este levou-me para longe, bem longe. Dei por mim a refletir sobre um sem fim de coisas e a alcançar conclusões que foram totalmente novas para mim, mas tudo de forma natural e não por imposição ou exigência da leitura. A minha imaginação correu desenfreada e não evitou as encruzilhadas. Agora o livro acabou e estou a viver aquela fase depressiva em que algo fica vazio até que eu o saiba preencher com a bagagem que dele ficou. Conclusão da história, não fossem os livros e já estaria louca.

One thought on “Ela voltou

  1. Maggie diz:

    Pakinha, tudo tem o seu tempo….
    Adoro te!

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