Monthly Archives: Julho 2015

Arrepio

Como é bom quando deixamos que algo nos toque. Sem mãos, sem nada de absolutamente palpável. A sensação mágica, mística e quase transcendente de um arrepio que nos percorre o corpo e que nos inquieta todos os sentidos. Que nos deixa mais alerta, mais despertados e conscientes dos outros ou de outras coisas. Um friozinho que nos acorda para outras realidades e que nos recorda do quanto, mesmo que por um milésimo de segundo, é bom estar aqui. Um poema que nos inunda os ouvidos e que nos chega. Que nos atinge e nos penetra e que nos impele a sentir. Num mundo cada vez mais ridiculamente virtual é imperativo que nos lembremos da nossa humanidade. É isso que nos distingue e nos compõe. Nós somos mais do que aquilo que ansiamos ser, mais do que aquilo para que lutamos que se reflita nos olhos dos outros. Nós somos sempre mais quando nos deixamos ser, ser no verdadeiro sentido da palavra. Sem artifícios, superficialidades e gestos forçados, repetidos. Somos tanto quanto o que nos vamos permitindo sentir. Há tanta coisa ainda que continua sem ter preço, tanta natureza gratuita, tanta beleza e tão perto. Temos que ser viajantes mas antes de alcançarmos altos voos, temos de saber ir voando por aqui. Temos de aprender as artes da contemplação, temos de ser livres sabendo que a liberdade não se procura, só se encontra. Temos de olhar para dentro para saber como ver de fora.

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