Divagações

Enquanto o fumo do cigarro se dissipa por entre espirais de pensamentos translúcidos percebo que estou a sorrir sem razão. Esta não é uma ocasião singular, aqui momentos como este sucedem-se numa cadência irregular e eu vou-me limitando a absorve-los para que nada disto me escape.

Não quero sair daqui. Quero tanto só viver isto, como se aqui o pulsar da vida tivesse redescoberto outro fôlego, como se aqui eu fosse finalmente tudo o que devo ser. Longe de outro eu que pensava e repensava, que idealizava e ponderava e voltava a redesenhar e voltava a riscar, para tantas vezes não concretizar.

Quero estar aqui e sugar esta energia que me traz vontades novas, desejos mais urgentes e histórias que se escrevem pela madrugada adentro. Continuar a viver coisas que me tiram o sono e me fazem conhecer novos meandros da minha própria escrita. Palavras que emergem do imo e que antes de serem escritas são transpiradas.

Quero permanecer. Não viver na ânsia de um suposto fim mas na expetativa de um contínuo recomeço. Conhecer uma sofreguidão que não é nociva nem imponderada, mas que urge, se manifesta e materializa. Libar esse sorriso sem pais e deixa-lo permanecer sem lhe questionar propósitos.

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