Alienação

O que me faz apaixonar por alguém, acontece no momento em que inesperadamente, lhe vislumbro um segundo de loucura. Não de uma qualquer loucura, mas aquela que lhe é intrínseca e que o faz diferente de todas os outros. Aquele segundo em que não há possibilidade de ensaio, em que nada poderia ter sido pensado, sequer imaginado, e que do cerne do que nos é mais primitivo, a lucidez se esvai.

Um milésimo de segundo em que a nossa humanidade desfaz a superficialidade das coisas banais, um segundo em que se rompe o véu da artificialidade com que nos vamos construindo e disfarçando. Um momento que de tão raro, nunca se poderá repetir. Tão brutal como a primeira vez que vemos a nudez do outro e em que nela vemos a nossa.

É um momento quase microscópico e que por esse motivo escapa aos outros. Aos que maioritariamente vivem através do que conhecem e que não ousam ir mais além. Enquanto para esses o desconhecido é um abismo a evitar, para mim é a vertigem que me traz à tona.

Às vezes o encantamento não sobrevive a esse segundo e esmorece no momento em que se finda. Outras vezes é persistente e fica. Eu escolho esse, esse que provoca deleite, esse que se bebe em colheradas de indiscriminada luxúria e que se deita ao nosso lado voluptuosamente. Esse libidinoso, lascivo e libertino, que se entranha e devora. Esse que de manhã já se foi.

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