Clímax

Muito se perde no momento em que se concretiza. Como um fio de fumo nos confins do mar que de repente se esvai sem que o tenhamos conseguido sequer vislumbrar. É um segundo em que chegamos lá, muitas vezes depois de muitos milhares de quilómetros percorridos. É uma dolorosa finitude embora chegue em forma de clímax.

Uma angústia terrorista que depois de nos despertar nos traz de novo aqui. De volta a tudo o que já conhecemos, a essa morosa monotonia de uma perpetuação de dias mais ou menos cinzentos. Um segundo em que todo esse frio que fomos alimentando na barriga se cala. Um grito que dá lugar ao silêncio absoluto. Um início e um fim que nascem e morrem à mesma hora.

É nessa ressaca que percebemos que o melhor tinha ficado lá atrás. Nas noites mal dormidas, nos sonhos que nos fizeram acordar em languidos suores e nos olhares que alimentaram longas conversas que nunca se materializarão. Os abraços que foram só abraços na ânsia de serem tão mais do que isso. Os batimentos que se revoltavam em curioso uníssono.

A concretização mata tudo o que a nossa imaginação ousou criar. Leva tudo o que deveria ter sido e não foi. Fica o sabor amargo do fim da festa. Copos meio vazios e cigarros por apagar. Corpos cansados e um cenário pornograficamente tétrico.

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