Assonia

Fecho os olhos para cumprimentar a insónia, companheira de tantas noites brancas. Recebo-a com a familiar cumplicidade com que recebemos velhos amigos. Vejo-a chegar como sempre chega. Envolta em desassossego e inquietação. Traz a dormência aos músculos e aquele mal-estar que nos faz ansiar por sair fora do próprio corpo.

Volto a abri-los, não faz sentido remar contra o estado das coisas. Abro os meus olhos para outros olhos. Procuro agarrar essa falsa serenidade que neles vejo. Puxo os lençóis por cima de mim, enquanto exploro em busca daquele conforto que lá costumo encontrar. Como se de uma camada de proteção se tratasse, que me poderá salvar de mim.

Com o pé direito procuro aquele frio que está sempre do lado de fora. Engraçado perceber o quanto da nossa vida é exatamente isto. A busca por pequenas coisas que nos trazem conforto, que nos aliviam o peso e nos acalmam. A eterna e incessante busca por pequenos segundos de alívio, de satisfação momentânea ou de uma quase amnésia.

Volto a abri-los, desta feita para o vazio. Ouço a chuva a vingar o mundo com uma força demoníaca lá fora. Sinto um arrepio que me percorre. Está frio e o sono não se vem deitar aqui. Lavo o cara mas não lhe consigo extrair o cansaço. Desço as escadas e procuro o meu quadrado. O fumo aparece e lá me chegam esses míseros segundos de apaziguamento. Faz frio cá fora.

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