Intrepidez

Apaga as luzes, fecha as cortinas e limita a entrada ao ruído. Só aqui, só agora, só este mundo. Desliga o cérebro, desliga a ficha da realidade, desliga o que é suposto, desliga. Deixa que seja a tua vontade a ditar as regras. Cede ao corpo, cede ao momento, cede à adrenalina da inevitabilidade.

Sente o calor que cola um corpo a outro. O batimento do coração a encontrar outro batimento e a estabelecer um compasso comum. Vê a linha que separa a dissipar-se e a escapar por entre os dedos. Sente o arrepio do toque que te desenha espirais no pescoço, nas costas e nas clavículas.

Cede ao calor, a efervescência que está subjacente ao ímpeto e vinga-te. Entrega-te à tua animalidade, acorda o que em ti é mais primitivo e encontra aí finalmente aquilo a que podes chamar de liberdade. Uma liberdade que é tão intensa que quase te estrangula. Uma liberdade que só se materializa desta forma.

Sente esta ânsia que nos transforma em eternos exploradores de territórios desconhecidos. Acrobatas em manobras de alto risco, toldados pela vertigem de se querer sentir tudo de todas as formas. Cegos pela avidez com que nos vamos alimentando, anestesiados pela febre orgástica desta inconsequente intimidade.

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