Chance

Não sinto que o meu corpo pertença a lugar nenhum. Imagino-o como a um eterno passageiro, com a mala cheia de finas camadas de inconstância e insatisfação, que perpetuamente o obrigam a seguir caminho depois de cada cessação de movimento.

Amo o meu país daquela maneira pueril como sempre amamos o que já nasceu nosso. Mas de alguma forma não lhe pertenço nem ele me pertence a mim. Vou encontrando a minha a casa em recantos diferentes do mundo, em pessoas que me acrescentam e em paisagens onde me encontro e me perco. Não tomo nada como certo e todas as chegadas são já partidas.

A minha estabilidade vive no extremo oposto dessa ideia de permanência. A minha estabilidade é saber que vivo em constante viagem. Uma viagem onde apenas tenho de obedecer-me a mim e onde todos os planos ou ausência deles estão inteiramente dependes do que são as minhas vontades. Onde os meus impulsos correm desenfreados e onde a voracidade é uma forma de estar.

A liberdade de poder escolher, ter ou usar. A liberdade de estar no comando e não precisar que ninguém estabeleça as direções. Poder caminhar num elástico sem rede e ter apenas a adrenalina de cada passo como minha companhia.
Fechar os olhos e saber que tudo são possibilidades.

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