Imersão

Como se sentisses as paredes encolherem à tua volta e ao invés de sufoco, alcançasses finalmente liberdade. Um segundo em que o mundo deixa de ser mundo porque o que não tem nome não existe e nesse segundo não existe sequer mundo. Um segundo que te faz crer na imortalidade porque algo invisível é de repente palpável.

A projeção de tudo o que não se diz, de todos os gestos que não se materializam, numa injeção de surrealismo mágico em forma de união. Um compasso de tempo em que nos despimos do nosso corpo e vestimos o corpo do outro. Uma miscelânea de sensações que te confundem os sentidos e te fazem respirar com os ouvidos, mastigar com os olhos e ouvir com a boca.

Um dos únicos momentos em que algo é partilhado não sendo esse algo a mesma coisa, porque a forma como te atinge é sempre diferente. Ou talvez a forma seja sempre a mesma e só o conteúdo se altere. Ou a linguagem se mantenha e só as interpretações se distanciem.

A hora em que corpo e alma se fundem e em que a razão é subjugada pelo desejo. A hora em que o silêncio se transforma num ruído ensurdecedor que se propaga em ondas longitudinais de ar expirado. A hora de acreditar que existe um sentido quase divino em estarmos aqui e que por essa mesma razão, é perentório cedermos ao que em forma de estimulo nos impulsa.

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