Açular

A musica estabelece o ritmo que o corpo quer pedir sem saber como. Não há limites para o quanto o coração pode acelerar quando permitimos que este tipo de adrenalina se instale. Não há nenhum comando que tenha o poder de quebrar aquilo que dentro cresce, flui, corre, escorre. Fraco, forte, frio.

Morder o lábio e fechar os olhos. Estabelecer em pensamento, tudo o que deveria ser imediatamente libertado. Esse único espaço fechado em que tudo pode ser espontâneo. Nesse espaço privado onde a noite já caiu, as roupas já estão espalhadas pela casa e a fúria já deu lugar ao esvaziamento.

A língua a queimar diabolicamente cada centímetro de pele enquanto o tórax se contrai e a respiração deixa de ser um ato inconsciente. Esse humor aquoso que se transforma numa outra camada que une tanto quanto separa. Os dedos que exploram, invadem, dilaceram.

Ainda bem que está frio cá fora e que tudo o resto, por ser passado, já não existe. Ainda bem que se criou e se destruiu logo depois. Algo tão dolorosamente bom não pode ser tomado de forma continuada. Algo tão vertiginosamente edénico tem de ser tomado em doses devidamente espaçadas, embora sôfregas, nímias, quase letais.

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