Ebulição

Pecaminosamente bom. Doce, salgado, frio. Quente, a ferver. Liquido, espesso, húmido, gelado. A mão que procura esse lugar onde a ebulição é constante. A vontade de se ir sempre mais longe, mais fundo, mais adentro.

Um abraço que envolve mais do que um encontro, mais do que a pertinência que dois corpos podem ter em se tocarem. Um abraço onde se estabelecem longos diálogos que invalidam a necessidade de palavras.

A cabeça no colo, as mãos no cabelo, as pernas que se entrecruzam, o arrepio que chega e se instala. A forma deliberada como decidimos criar contenção nos gestos e o saber esperar pelo ponto certo, pelo segundo em que o ar se esvai e pela hora em que ceder já não é uma opção, mas uma exigência.

A estranheza de reconhecer um espaço comum, onde existe um encaixe que permite selar tudo o que nunca será dito. O conforto de ter algo que não se possui, uma partilha intimamente desligada do mundo. Fechar os olhos e despertar com o calor dessa vontade. Vê-la crescer com a fúria com que vamos fugindo sempre da razão, até ficar escuro e a luz ser apenas um reflexo do dia que passou.

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