Desapego

O efeito ilha deriva do desapego. Não há forma de estarmos verdadeiramente presentes sem que algo fique do outro lado. De fora. É preciso desconstruir e erguer uma construção nova, uma construção diferente. As raízes ficam lá mas aqui a alma requer outros apetites.

A distância aos outros, aos tais, impele à proximidade destes. Os que estão aqui e agora. Presentes. Viver lá e cá, seria extenuante, e implicaria uma vivência parcelar. Como se fosse possível respirar em dois lugares diferentes. Não é possível.

Esse desapego de lá, amplia o que é o aqui. Os dias viram noites e as noites viram dias. Tudo é um estímulo, tudo é palpável, tudo adquire novos contornos, novas complexidades. Nada se desgasta porque tudo se prolonga.

A luz e a ausência dela não são faces opostas e o silêncio por vezes ouve-se. Um beijo raramente é apenas um beijo e nem todas as manhãs trazem alvoradas. Mas tudo o que ao corpo chega, chega melhor. E o mar aqui é mais mar e é guardião de histórias.

Na ilha o mar também é casa. Guarda segredos, alivia saudades e sabe sempre a ti.

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