Insofreável

De manhã, à tarde e à noite. À luz do dia, a meia-luz, no crepúsculo e na escuridão da noite. Sem pausas, sem intervalos e sem deixar o ar sair dos pulmões. Devagar. Ainda mais devagar.

Adormecer e acordar em ti.

Ouvir o barulho dos botões a cair no chão, o tecido a rasgar e a exaltação de não estarmos sós. A consciência de que esta história se prolongará além do tempo, muito além do certo. A certeza de que a brutalidade de tudo isto nos ultrapassa. A certeza de estarmos confinados a ceder a algo que é tão maior do que nós e a que os nossos corpos apenas dão lugar.

E os teus olhos dizem tudo aquilo que nem sempre chega nessas meias palavras. E os meus dizem tudo o que de outra forma nunca direi. E é desse diálogo em silêncio que eu tento fugir, mas não consigo. E ele perpetua-se numa linha infinita de tempo, nessa outra língua que estabelecemos e a que tantricamente exploramos.

E começa a não haver tempo para ter tempo e por isso temos de ir além da exaustão. Por todos esses caminhos que nos levam de encontro a um lugar onde a dor e o prazer vivem em estranha comunhão.

E agora é evidente que as teclas do piano apenas repousarão e que nesses encontros saberemos sempre como voltar a este quadrado.

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