Fulgente

A ausência traz tanto mais do que só silêncio. Traz a estranheza de algo que talvez nunca tenha existido. Traz a distância, e um afastamento que parece a consequência natural do que apenas se sonhou. Traz uma tranquilidade morna a que nunca me saberei habituar. Acalma o desassossego e esvazia o quadrado.

Mas depois a ausência termina e, existem partes de mim que te sentem chegar, horas antes de te ver. E tudo volta. E não há razão nem lógica, nem certo ou errado. Tudo é o que sempre foi, o que talvez sempre fique. Tudo é vontade, instinto, animalidade e fome.

Talvez mais do que isso. Mas nunca mais do que isso.

Vai saber sempre bem voltar a braços que são sempre abraços. A um lugar para onde fugi e onde me fui perdendo e encontrando. A um outro a que me soube entregar, sem romantismos nem antecipações. A um outro a que cheguei, numa total nudez de espírito, impondo uma verdade que nunca foi só minha.

E no meio de todos os atropelos, voltaria sempre a esse lugar. Ansiando sempre a luz desse lado, não exigindo nem questionando mas saboreando sempre, até ao último pedaço.

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