Epílogo

Talvez no final tudo isto se prolongue no tempo. Talvez no final, a miragem do que foram estes tempos, me obrigue a voltar. Talvez a inquietude permaneça e a vibração dessa terrível insularidade me mantenha sempre alerta. Sempre meio lá, meio aqui. Talvez a história se deva manter ininterrupta. Mantida por encontros clandestinos, viagens sem planos, ligações fora de horas.

Talvez o verdadeiro sentido de tudo isto, esteja na sua ausência. Na forma como nada foi decidido e tudo foi apenas cometido por essa torrente de insanas vontades, por essa fúria de querer tanto. Ou talvez de te querer tanto. Como se pudesse eu fugir de tudo o que se torna por demais evidente. Se as noites já não me trazem descanso e se essa falta de lógica já me parece a minha normalidade.

E se eu ainda fecho os olhos e és tu. E se assumo a loucura de não querer fugir. Essa eterna insatisfação, esse absurdo devaneio. Esse constante ímpeto de ceder. De voltar ao mesmo lugar e fazer tudo de novo. De esgotar todas as forças, de esvaziar todo o ar que vive nos meus pulmões. De ouvir os ossos quebrar, esse esgotamento que se sente no corpo, esse espasmo que nasce e morre com o clímax.

E eu já me vejo do outro lado. Por entre estranhas deambulações, em caminhos que já foram meus e que agora não me pertencerão. E em todas essas ruas, frias e mal iluminadas, eu procurarei a única que não saberei achar. Essa outra, onde nunca morou a razão.

A melhor de todas.

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