Sidéreo

E eu vejo o tempo fugir-me por entre as mãos. E tento por tudo aprisiona-lo. Guardar o melhor para o fim, mas já não consigo. Nessa ideia vã de o dividir contigo, fiquei só com a minha parte. E essa parcela de tempo, que nunca foi apenas meu, agora é como se não me pertencesse. Desconheço que fim dar-lhe, quando tudo o que dele idealizei, implicaria quatro mãos.

Não posso guardar o que nasceu aqui. Não posso levar na bagagem aquilo que só aqui encontra significado. Aquilo de que apesar das intempéries, não saberia ter negado. Aquilo que mesmo quando foi mau, foi sempre bom. Esse lugar onde nunca permiti que a razão entrasse, esse quadrado onde a minha cabeça nunca morou.

E eu só queria encerrar devidamente o capítulo. Escolher as palavras certas e prolongar indefinidamente o ato. Poder partir cheia dessa estranha cumplicidade, desta história que foi sempre tão simples, quanto o são as coisas que não se planeiam nem se esmiúçam. Essas coisas que fogem ao nosso controlo e que por isso sabem sempre pecaminosamente bem. Essas coisas que as outros que não tu, nunca saberei explicar.

E eu só peço que esse fio de tempo ainda me permita levar apenas isso. Essa infinidade de horas que foram dias e meses de ti. Esse ano de verão contínuo e dessa insularidade que se cola ao corpo.

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