Irrepreensível

Esse sabor amargo de um abandono a que não se tem escolha. Uma partida a que o meu coração não se consegue habituar. Uma incerteza que dorme ao meu lado e me mantém em sobressalto. Um sentimento de escuridão que me transforma numa criança sem colo. Esse frio que encontrou refúgio nos meus ossos, que me curva e entorpece o equilíbrio.

Uma ansiedade sem nome. Um constante descontrolo do batimento cardíaco. Uma introspeção que me leva de encontro às rochas. Centenas de caminhos sem saída, encruzilhadas e precipícios. Um sem fim de possibilidades que me fogem e que se afundam neste mar que já não me pertence.

Um querer ainda tão pesado. Um desejo que a ausência só inflama. Um cansaço de ti que não chega. E a luz que não reaparece e os cigarros cujo fumo já não te traz. E a vida que se perpetua, que prossegue, que corre. E eu que só me consumo dessa melancolia, dessas últimas horas que me parecerão dias infinitos.

E este mar que já não me acalma. Este mar que já são só memórias dessa selvajaria que chega sempre com o teu abraço. Desse impulso apoteótico de mergulhar mais fundo.

E que volte essa meia-luz. Só mais uma vez.

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