Sempre

Sempre soube que ainda se poderia morrer de amor ou de saudades, e agora, todos os dias, enquanto me deito e me obrigo a fechar os olhos, sinto que sucumbi às duas.

Tenho as mãos geladas e o coração numa fome de clausura. Esse frio que vem com a incerteza instalou-se e vai-me arrastando numa melancolia a que não vejo fim. Tudo é passado e todo esse passado me esmaga enquanto presente.

Tu estás em todos as notas de todas as músicas. Em todas as janelas de todos os lugares. Em todas as palavras de todos os livros. E eu ouço-te, vejo-te e leio-te e volto atrás e faço tudo outra vez.

E hoje percebo que o amor pode ser insano e que talvez só esse seja verdadeiramente amor. E hoje percebo que te trouxe e que ainda te quero guardar em mim. Porque ainda me sabes bem. Mesmo longe, mesmo nesse silêncio amargo. Mesmo assim.

Sempre.

One thought on “Sempre

  1. Ines diz:

    Simples, complexo, completo… Gosto:)

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