Amplexo

Como se o tempo te pudesse apagar. Como se o tempo pudesse esgotar-te de mim.Como se a distância servisse de fuga. Como se o esvaziamento físico pudesse roubar-te. Como se por não te verem os meus olhos, eu não te sentisse mais. Como se nada. Porque ainda tudo.

A distância inflama o que foi bom e varre tudo o resto. E quando se instala, todos os contornos se transformam e tudo se cola em mim, porque tudo é doce. Porque os teus lábios ainda me desenham vontades no pescoço. E a tua voz é ainda um sussurro que chega por detrás do piano.

E tudo aqui dentro ainda te deseja. Ainda te procuro em todos os banhos de mar, ansiando para que este mar não seja distante do teu. E tu já és palavras sem fim, nesta história de avanços e recuos, onde nunca poderá haver um último capítulo.

Se fechares os olhos, ainda me vês nesse quadrado, porque de alguma forma, nunca de lá saí. Deixei tudo o que nunca saberia trazer. Deixei-me algures lá, por detrás do fumo de um outro cigarro, a sorver a tua luz e a escrever-te tudo isto com a respiração. 

E toda a verdade em ti é coisa incerta e tão vasta.”

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