Desafinado

Anseio por essas manhãs lânguidas, no espraiar desses lençóis, em tom desafinado. A rouquidão da tua voz ainda morna, ainda cheia de fumo e cansaço de noites vividas ao avesso. Manhãs que poderiam ser dias inteiros, fossem elas do tamanho da vontade que as construía, do desejo que as precipitava.

Sonho com conversas talhadas por olhares que se inflamavam, por silêncios carregados de significados que para sempre neles se encerrarão. Nostalgia desse sofá, que habitava num quadrado, onde a única realidade que nele havia, só cabia em duas cabeças sem razão. O som de um piano que me faria sempre voltar e consumar tudo de novo.

Alimento a fome de um abraço que me trazia de volta a mim. Da insensatez dos lábios que nos meus lábios não se esgotavam. De haver mar no meio de tudo isto. Da singularidade dos teus passos lá fora, de uma porta que se abria mais do que fechava. De tantas horas de um confinamento edificado a libertinagem e dessa boa vulgaridade de corpos nus.

O sabor de um reencontro na sequência de uma infinidade de palavras que ninguém ousou dizer. De um diálogo que se subentende na estranha cumplicidade de uma história invulgar. Na força de um impulso que corre sem rédeas, num compasso binário, livre, porém desenfreado.

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