Lado esquerdo

Esse coração que me sabia a mar revolto,

a naufrágios, tempestades e tumultos.

A tua língua em tom de vilipêndio

e o som anelante do descerrar dos botões.

A frialdade da parede nas minhas costas

e a dança de desassossego das tuas mãos.

E a orla dos teus dedos a desenhar labirintos,

na linha de flexão da coxa sobre o abdómen.

A sofreguidão do ar que só se expelia

e que morria na linha que une duas bocas.

E bem no ponto do fenecimento,

eu ansiava finalmente o derradeiro início.

O calor desse amplexo a trazer o desvelo dos teus braços.

Um silêncio partilhado,

doce, cúmplice, inteiro.

Esse coração navegador,

a dormir ao colo do meu.

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