Concupiscência

A alarvidade dos teus olhos

a chegar como o inverno aos meus lábios,

a cravá-los dessa fissuração,

cálida e inteira.

E nessa dose perfeita de dor e prazer,

o sabor acre do sangue.

A aspereza da tua pele,

a tua língua infinda,

e o meu corpo em propulsão,

sempre exigente,

sempre insaciado.

E algures nesse lugar nosso,

numa mísera partícula de tempo,

o teu olhar claudicante

e a minha exasperação.

E o meu esgar,

para um segundo de fingimento,

para que o encantamento não se dissipe,

nunca se dissipe.

Porque a fúria desse desejo

é inacabável,

como o flauteio que ouço,

quando te entressonho.

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