Ouarzazate

Nessa imensidão de silêncio frio,

imaginei as tuas mãos,

até ao mais ínfimo do seu detalhe,

e esgotei-as de encontro ao meu ventre.

Senti o desconforto de um suor abundante e

as mãos trémulas por te encontrar ali,

tão longe de tudo, preso no lugar mais solitário do mundo.

Vi um passado onde ainda habito,

em cada linha do horizonte,

em cada tonalidade de nascer do sol,

em cada ponto de luz daquele céu.

E senti falta de sermos um verbo copulativo.

Falta de um quadrado à beira-mar.

Da ausência de razão, nessa casa à meia-luz.

E assumi, perante a vastidão desse lugar remoto,

no meio dessa aridez desconcertante,

no meio da minha fuga,

com o meu coração insano e desobediente por entre as mãos,

que ainda sim.

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