Monthly Archives: Janeiro 2017

Mais amor

Porque só o amor

se cura com mais amor.

Essa total desorientação dos sentidos.

Esse constante estado de embriaguez,

essa volúpia que nos consome, e a sede,

a sede que não se mata.

Uma profusão de agoras,

sem força para depois.

Um coração de carrossel,

um querer de miúdo.

Um desassossego intermitente,

em sonhos de mãos fechadas.

Um resfolgar depois da euforia,

da saturação dos corpos

e das bocas que se cansam sequiosas.

E sempre um pouco mais.

Que amor não esgota.

Emanação

Pudesse eu almejar um caminhar presciente.

Que me devolvesse o sono,

me embalasse entre melodias melífluas

e me roubasse o frio.

Por entre madrugadas de cafuné,

amor e divagações de elástico.

Como as horas que em ti nunca me sobram.

Porque a doçura do encantamento e

a puerilidade dos primeiros passos,

nos embriaga de vontades mais espessas.

De anseios insensatos

e de quereres mais urgentes.

Como quando chegas desaforado e te esgotas em mim.

Mas a insónia chega,

arrasta-me pelo caminho do incerto

e eu deixo que ela me afunde,

por entre questionamentos insolúveis,

e lugares lúgubres e vacilantes.

Fecho os olhos e rogo,

vem depressa.

Idiossincrático

Esse sabor meio agreste,

do que chega sem chegar.

Um desejo meio difuso,

ainda inconsistente,

nervoso.

Um querer que não se sabe camuflar,

genuinamente pueril,

mas terno.

Tão doce quanto tudo o que aparece sem aviso,

quanto tudo o que nos inquieta, e de repente,

nos deixa entre a trepidez e o desassossego.

Esse sabor do que é novo,

do que ainda não se contaminou,

do que ainda não é palpável.

A desorientação de um lugar desconhecido,

pelo qual já se anseia quando a noite cai.

Esse sabor de querer

sem questionar a lógica.

Mas querer.