Monthly Archives: Fevereiro 2017

Prematuro

Um fulgor desajeitado,

nuns olhos de cardamomo.

Um querer exacerbado

que não sabe ter forma,

que se assume presunçoso,

mas que não sabe encher palavras em matérias.

Um desejo cego,

escarpado, animal.

A impertinência pelo imediato,

como se o agora fosse um lugar de posse.

A trepidez das divagações,

carregadas de verdades, mesmo que pueris

mas ainda sem madureza.

A respiração sempre anelante,

sempre incerta, sempre canhestra.

O discurso aliterante

de mão dada à demoníaca dança da dúvida.

E esse lugar de eterna fome,

esse ermo asfíxico,

onde se refugia o talvez.

Um fulgor desajeito,

nuns olhos de cardamomo.

Um querer exacerbado

que não sabe ter forma,

que se assume presunçoso,

mas que não sabe encher palavras em matérias.

Um desejo cego,

escarpado, animal.

A impertinência pelo imediato,

como se o agora fosse um lugar de posse.

A trepidez das divagações,

carregadas de verdades, mesmo que pueris

mas ainda sem madureza.

A respiração sempre anelante,

sempre incerta, sempre canhestra.

O discurso aliterante

de mão dada à demoníaca dança da dúvida.

E esse lugar de eterna fome,

esse ermo asfíxico,

onde se refugia o talvez.

Cupidinoso

Talvez te esgote,

na força das vontades.

No ímpeto desse querer absoluto

que não deixa que me sobres.

Na correria dessas horas

e na luta inglória,

de implorar que não se apressem.

E pudesse eu,

alcançar-te num hiato de tempo.

Numa fuga do pêndulo,

e aprisionar-te nesse lugar

onde os ponteiros seriam estáticos,

e onde te poderia degustar devagar.

Nesse tal lugar,

onde o tempo poderia ser finalmente

uma série ininterrupta e eterna de instantes,

e tu o colo,

e a infinitude das horas vagas.