Um fulgor desajeito,

nuns olhos de cardamomo.

Um querer exacerbado

que não sabe ter forma,

que se assume presunçoso,

mas que não sabe encher palavras em matérias.

Um desejo cego,

escarpado, animal.

A impertinência pelo imediato,

como se o agora fosse um lugar de posse.

A trepidez das divagações,

carregadas de verdades, mesmo que pueris

mas ainda sem madureza.

A respiração sempre anelante,

sempre incerta, sempre canhestra.

O discurso aliterante

de mão dada à demoníaca dança da dúvida.

E esse lugar de eterna fome,

esse ermo asfíxico,

onde se refugia o talvez.

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